Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Agora que a Christie’s resolveu prudentemente proteger-se da política portuguesa, permitam-me então dizer o que penso sobre esta nova questão cultural que me faz lembrar as gravuras do Coa nos anos 90. A argumentação dos agentes culturais e dos políticos do Partido Socialista dessa área parecem-me oriundas dum país que eu não sei onde se situa, mas não é certamente o Portugal de 2014.

Um dos agentes culturais que falou, Pedro Lapa, foi muito claro: ele, enquanto agente cultural, não tem de saber por que coincidências da História é que “nos” foram parar ao colo os 85 quadros. Ele só tem de fazer pressão para que tiremos proveito “cultural” do facto em si. Muitos outros políticos e agentes desta área falaram com o mesmo pressuposto, sem ousarem ser tão claros, mas na base do seu raciocíno está sempre o mesmo pressuposto de “irresponsabiliddae” da rapaziada da cultura.

Ora, permitam-me a mim, que não sou propriamente da área, opinar com a independência que me permite ser um mero tradutor com algumas amizades na área da cultura e outras na área das finanças e atá algumas que misturam as duas. Será que para Portugal é essencial ter 85 quadros de Joan Miró? Ou, para polemicar com  Pedro Lapa, será que, sendo nós pobres em colecções de arte contemporânea, logo Joan Miró, pintor de algum valor, mas longe de ser considerado um ícone pelos especialista da área, é que deveria suscitar os nossos arroubos patrióticos? Talvez fosse mais interessante pensarmos no que está a acontecer com a colecção do Banco Privado, que tem obras de inegável interesse, até porque foi adquirida com a competência profissional de vários curadores, entre os quais precisamente Pedro Lapa.

Desculpem estar a misturar tudo, como é próprio duma pessoa que não é especialista da área, mas, enquanto parte interessada na política cultural do meu país, estarei sempre pronto a “desculpar” alguma proximidade dos agentes culturais com pessoas cuja probidade financeira possa ser considerada duvidosa, pois acredito nas vantagens que a arte, ao longo da História, vai extraindo das vicissitudes da política, dos negócios e até da criminalidade. Mas,por favor, não queiram enganar-nos com conversas da treta sobre quem é que defende a cultura em Portugal. Aquilo que está a acontecer com a venda dos Mirós seria igualzinho com o PS no governo e o PSD na oposição. A única coisa estranha seria vermos o PSD muito alinhado com toda a restante esquerda para além do PS. Mas, como bem sabemos, já aconteceu…e certamente voltará a acontecer.

Voltemos ao essencial: Portugal não precisa mesmo de 85 obras de Joan Miró. Esta verdade inegável pode ser confirmada por qualquer pesssoa minimamente informada sobre o tema. Infelizmente, mesmo aqueles que pensam como eu só o dirão à boca pequena, pois sabem que teriam muito a perder se fossem contra esta carneirada surrealista, uma espécie de homenagem involuntária a Miró e a muitos dos seus correlegionérios.