Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Conforme prometido, continuo a dar ligações a outros artigos de comentadores que aprecio:

Ao contrário do asno, de Paulo Tunhas

Nobre povo, de Ricardo Rio

Este tem-nos no sítio, de Rui Rocha (vídeo com uma das poucas intervenções dissonantes no Congresso do PS)

Os activistas pró-PS já começaram a atirar lama a Fernando Nobre, como seria de esperar. Aqui saio pois em sua defesa.

Não votei nele, até abandonei um movimento a que pertencia (MIL) em protesto por o ter apoiado sem consultar os aderentes, mas tenho de ser justo: Fernando Nobre tem todo o direito de ser independente, logo, de apoiar diversos partidos em diversas ocasiões (é isso que é ser independente). Tem todo o direito de negociar a sua integração numa lista de deputados de um partido, como faz qualquer activista político (julgam que só pode fazer pela vida quem milita num partido?).

E o PSD faz muito bem em alargar a sua base de apoio, pois só assim ganhará as eleições. Segundo os jornais, o PS e o BE andaram a”namorar” Fernando Nobre. Se for verdade, os apoiantes do PS deveriam estar caladinhos e os do BE também (se for verdade que tentaram aliciar Fernando Nobre, as declaraações de Louçã sobre a não-independência de Fernando Nobre raiam a canalhice política). 

Parabéns pois ao PSD pelo êxito e votos de boa sorte a Fernado Nobre para que consiga trazer algo de positivo para a vida política.

Quanto às pessoas que se chocam pelo alto valor que têm os independentes durante as campanhas eleitorais, pensem que se tivessemos melhores partidos, não haveria certamente tanto encantamento com os “independentes”.

Para ilustrar o que vai acontecer, aconselho que vejam dois vídeos publicado pelo Público:

http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=24dbf363-64a6-4c18-974a-8471dee5f03a

http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=3b59d34c-356b-424d-bf76-45fb63a00b0c

Estas intervenções de duas jornaistas do Público dizem tudo, por palavras e por imagens. Não posso deixar de chamar a atenção para o tom negro e apelar à calma…

A vida continuará, sobretudo se conseguirmos que os principais responsáveis dos últimos seis anos sejam corridos, como se faz em democracia, isto é, pelo voto.

Em primeiro lugar, parafraseando José Sócrates, quero fazer um apelo ao voto útil à esquerda. Ora, para quem seja de esquerda só há duas maneiras de votar útil:

1- Para quem seja de esquerda, mas não seja tolhido (é o meu caso), a melhor solução é votar num dos partidos de direita, de preferência no PSD, pois tem mais hipóteses de ganhar, mas também pode ser no CDS, que tambem será necessário e em alguma áreas até merece;

2- Para quem seja de esquerda e mais tradicionalista, isto é, incapaz de olhar para outro lado, então o voto útil será votar PC (de preferência) ou BE, em último caso.

Apelo pois ao voto útil de esquerda, isto é aquele que ajudará a tirar o PS do poder e a tirar José Sócrtaes da liderança do PS:

Outro conselho: não subestimem a capacidade do PS. Quem viu o Congresso na televisão sabe do que estou a falar, embora não seja também de subestimar como é irritante tudo aquilo: a agressividade dos seguranças, a quase-canalhice de quem dirige os trabalhos e atira as poucas vozes dissonantes para as horas de pouca gente, a nauseante música de Vangelis (não haverá ninguém com inteligência no PS que lhes diga que a equiparação do líder ao gladiador já enjoa?).

Enfim, a luta será dura, entediante e repetitiva, mas o patriotismo é mesmo assim, exige muito mais do que mera “determinação”, ao contrário do que julga José Sócrates…

Bem sei que o PM continuará a dizer ad nauseam que a culpa é de todos os outros, menos dele,  e que, infelizmente, haverá uma parte do eleitorado que engolirá uma tal balela.

Mas a verdade é que Portugal não está a pedir ajuda “ao estrangeiro”, está a pedir ajuda a instituições internacionais de que é membro de pleno direito.

 O PS que segue Sócrates irá continuar a tentar recuperar votos com o choradinho anti-FMI, mas espero sinceramente que quem acredita que a culpa “é do capitalismo” vote nos partidos marxistas, e não no PS, e que o eleitorado moderado vote numa alternativa ao actual PS, que esteve no governo seis anos seguidos e é o principal responsável pelo descalabro das contas públicas.

Augusto Mateus, que foi ministro da Economia do primeiro governo de António Guterres, declarou há dois dias que é urgente haver ajuda externa e que tal ajuda teria sido bem mais útil se tivesse sido pedida há mais tempo.

http://tv2.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=6&t=Temos-que-dar-passos-salienta-Augusto-Mateus.rtp&article=430626

Na actual polémica em curso sobre o que foi ou não foi dito no Conselho de Estado, é bom não esquecer quem foi o primeiro membro daquele órgão a dizer publicamente o que não podia dizer: José Sócrates.

É claro que, anteriormente, tinha havido quem tenha passado informação aos jornalistas, como se pôde ver no “Expresso” da semana passada. Como se sabe, se há área em que Portugal dê provas de grande eficácia, é na da ”fuga de informações”.

É inacreditável a irresponsabilidade do primeiro-ministro demissionário. As afirmações de Almeida Santos e de Carlos César “em defesa” do irresponsável são dum baixo nível difícil de igualar.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos publica desde o ano passado pequenos ensaios a preços acessíveis sobre vários temas de interesse público. O último que li (“Segurança Social – O Futuro Hipotecado”) é de autoria de Fernando Ribeiro Mendes, que foi Secretário de Estado desta pasta durante o primeiro governo de António Guterres. Dificilmente se poderia pensar tratar-se de alguém que não defenda a segurança social. E o que nos diz  o livrinho? Pois bem , diz que o modelo actual só se aguentará se continuar a ser reformado e se houver novas perspectivas. Transcrevo as duas conclusões finais (p. 140):

«Em primeiro lugar, é preciso tirar todas as dúvidas e explicitar todas consequências do facto de o sistema de benefícios definidos financiado por repartição não ser mais viável, pois desapareceu a vantagem de bem-estar que uma demografia mais jovem lhe conferia no passado.

Em segundo lugar, a responsabilidade individual pelos novos riscos de longevidade deve ser incrementada, através de um grande esforço de poupança das famílias, aumentando a adequação dos rendimentos totais disponíveis na velhice e não apenas nas pensões públicas. Ao mesmo tempo, tal esforço contribuirá para melhorar o legado às gerações vindouras, porque aumenta as possibilidades de investimento na economia nacional” (sublinhados meus).

Tal como outros ensaios desta colecção, este livrinho não é propriamente “leve”, mas ajuda qualquer pessoa interessada que queira saber algo mais sobre o tema a pensar com mais informação. Estas conclusões, da parte de uma pessoa tecnicamente bem preparada e que teve responsabilidades políticas no sector, devem ser comparadas com o vociferar que vamos ouvir durante a campanha eleitoral, nomeadamente da parte daqueles que se consideram os únicos defensores do Estado social e que diabolizam todas as propostas de alteração que visem melhorar a sustentabilidade do sistema.

Continuo a disponibilizar aos leitores deste blogue algumas leituras que me parecem interessantes:

- Dez notas sobre o problema português, um texto de André Barata publicado no blog da SEDES (a sugestão vem na crónica de Pedro Lomba hoje no Público);

- Comemorações, uma divertida e certeira alfinetada do nosso embaixador em Paris, Francisco Seixas da Costa;

- E as fragilidade políticas continuam, no blogue de Marina Costa Lobo.

Tendo sido tradutor durante mais de trinta anos habituei-me a ler muito, sobre muitos assuntos e sob muitas perspectivas.

Para além de estar a participar em debates no Machina Enxuta, irei deixando aqui reflexões adicionais e dicas para quem quiser ler mais.

Hoje, em primeiro lugar, quero recomendar vivamente o blogue Margens de Erro, de Pedro Magalhães (tem o mesmo apelido que eu, mas não é meu familiar, nem o conheço), instrumento indispensável para saber algo mais sobre sondagens. Confesso que o leio há anos com prazer sempre que há eleições à porta.

Seguidamente, aqui vão alguns artigos de opinião que me interessaram nos últimos dias:

- “Poupar, what else” de Cristina Casalinho

“Esta gente não tem vergonha” de Camilo Lourenço

“A queda do Forte Apache” de Luís Naves

“A realidade não se engana” de João Villalobos

Por hoje chega. Optei por divulgar algumas reflexões de pessoas diferentes dos comentadores mais consagrados. Essa será a minha opção nos próximos tempos.

Talvez não tenha ficado clara, no debate publicado nesta semana, a minha posição quanto a saber se há Estado a mais em Portugal. Em termos genéricos, subscrevo a ideia expressa no debate de que se há Estado a mais em algumas áreas, noutras há Estado a menos. Mas, em termos mais concretos, é inegável que o Estado cresceu demais nos últimos trinta anos e os governos PS destes últimos anos só agravaram a tendência.

As eleições que se aproximam devem servir para julgar os últimos seis anos de governação do PS e não há nenhuma gesticulação do PS, vitimizando-se e passando culpas para a oposição, que possa levar o eleitorado a esquecer tal facto. Eu votarei no partido da oposição que apresentar propostas mais sérias para cortar a despesa pública, para privatizar empresas que não devem estar no Estado, para cortar nos organismos do Estado.

Como já expliquei, sou um eleitor moderado e não limitado por qualquer peretença partidária. Votarei desta vez na oposição de direita pelos mesmos motivos que votei há seis anos no PS: na altura queria virar a página “Pedro Santana Lopes”. Agora quero virara a página “José Sócrates”.

Não há nisto nenhuma fulanização excessiva, há apenas o reconhecimento de que a alternância é útil e desejável. A oposição de direita só tem de se manter calma, não dar importância à gesticulação alarmista e às pressões do partido do governo e apresentar a seu tempo as propostas ao eleitorado.