Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

No próximo dia 17 de Novembro realizar-se-á a 11ª edição do Seminário de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa, no Instituto Franco-Português, em Lisboa. Este seminário realiza-se todos os anos para coincidir com a entrega do Prémio de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa, que no presente ano é atribuído ex-aequo a 3 obras: Trindade, de Santo Agostinho, Introdução à Filosofia Matemática, de Bertrand Russell, e Tópicos, de Aristóteles. O seminário deste ano, que será consagrado à relação entre tradução e diálogo intercultural, terá uma sessão de abertura com Eduardo Lourenço, uma mesa-redonda com três premiados de edições anteriores, uma mesa-redonda sobre novas questões colocadas pelo acordo ortográfico, bem como comunicações de académicos de várias nacionalidades que incidirão sobretudo em questões relacionadas com a interculturalidade. Eis o Programa.

Nos passados dias 25 de Agosto e 26 de Setembro já me tinha referido aqui à questão da língua portuguesa na Galiza.

Hoje está a decorrer em Santiago de Compostela, no Centro Galego de Arte Contemporânea (arquitecto: Siza Vieira) a sessão inaugural da Academia Galega de Língua Portuguesa, em que serão apresentados os académicos desta nova instituição. Participam representantes da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa, bem como o escritor moçambicano José Craveirinha.

Na revista Sábado, que se publica à quinta-feira, na edição de 2 de Outubro, há um artigo sobre os erros de português nos museus de Portugal. Infelizmente, não há ligação ao artigo em causa, mas as duas páginas podem ser resumidas: nos museus portugueses há falta de cuidado com a língua portuguesa, como pode ser verificado através de vários exemplos (Museus dos Coches, do Chiado, do Oriente; CAM-Gulbenkian; Oceanário, etc.).

É muito louvável assinalar os erros no espaço público, concordo até que se brinque com o assunto, mas temos de estar cientes de que a velocidade da vida actual é a principal causa de muitos desses erros. Todos nós que trabalhamos com a língua (artistas, jornalistas, tradutores, publicitários, etc.) estamos constrangidos com prazos apertados que não podem ser ignorados. Por isso, temos consciência de que todos os textos são susceptíveis de ser melhorados. O bom texto é aquele que atinge um nível de qualidade bom, respeitando o prazo de entrega. Não é certamente um bom texto aquele que é entregue com atraso. É por isso que as pessoas que são “apanhadas” a fazer erros devem agradecer a quem se dá ao trabalho de os descobrir e tratar de fazer as devidas rectificações. E quem “apanha” erros deve ter consciência de que todos os podem fazer. Pela minha parte, embora me considere uma pessoa cuidadosa com aquilo que escreve, estou sempre a verificar o que escrevi para detectar imperfeições. E detecto bastantes. E agradeço a qualquer pessoa que me aponte uma falha.

Descobri, por indicação dum leitor (Cláudio) um interessante artigo que expõe um ponto de vista brasileiro sobre a língua portuguesa no século XXI, de autoria de Arnaldo Neskier, membro da Academia Brasileira de Letras. Como afirmei repetidamente durante a controvérsia sobre o acordo ortográfico (AO), as diatribes antibrasileiras que aparecem em alguns comentários dos inimigos do AO devem-se sobretudo à ignorância sobre o Brasil, a vida cultural do Brasil, a língua portuguesa do Brasil. Mais lamentável do que a ignorância de alguns, no entanto, é a condescendência que os principais promotores da petição anti-AO têm revelado em relação a esses seus aliados de ocasião…

Está a decorrer em Bragança, entre 2 e 5 de Outubro, o 7º Colóquio da Lusofonia, que é objecto hoje duma notícia no Jornal “Público“.

Com data de 1 de Outubro, foi publicada no Ciberdúvidas uma resposta de Edite Prada a uma carta duma pessoa que lamentava não existir em Portugal uma Academia da Língua Portuguesa. Não posso pôr a ligação, porque entretanto desapareceu, devido a (explicação que recebi do Ciberdúvidas): “A coordenação editorial de Ciberdúvidas considera que o texto de Edite Prada é merecedor de atenção, mas veicula uma perspectiva muito pessoal que não reflecte a posição da maioria dos nossos consultores. Por essa razão, retirámo-lo de linha mas decidimos enviá-lo directamente à consulente, contando, para tanto, com a concordância e o consentimento da autora. Como entendemos que se impõe, neste momento, a criação de uma entidade reguladora do uso da língua portuguesa, divulgaremos em breve esta nossa posição sobre o assunto”. Não vou alongar-me a comentar a dita resposta, que basicamente tentava demonstrar que a existência duma Academia não seria uma questão prioritária, posição com a qual aliás concordo, mas aproveito a ocasião para revisitar alguns dos temas que tenho tratado neste blogue nestes poucos meses de existência.

1 - Academia: é verdade que não há em Portugal uma Academia da Língua Portuguesa, mas o Ciberdúvidas não deveria ter omitido o que há de facto: é uma “classe” de Letras na Academia das Ciências de Lisboa (ACL). Mas, atenção! No Brasil há a Academia Brasileira de Letras (ABL), cujo primeiro presidente foi o grande escritor Machado de Assis entre 1897 e 1908, com actividade persistente há mais de um século na defesa da língua portuguesa. Se o leitor tiver paciência para consultar a lista de membros da classe de Letras da ACL, verificará facilmente que se trata de personalidades de valor nas Letras portuguesas, embora sejam todas de provecta idade. Por que motivo não será possível ter académicos em idade menos avançada? Por que motivo se mantém esta designação obsoleta das “Letras”, que inclui Direito, Ciência Polítca, História, Geografia, Sociologia, Economia, Finanças? Não tenho nada contra as tradições, desde que representem de facto algo. Por exemplo, não há motivo para que a Academia Brasileira de Letras mude de nome, pois tem tido uma actividade meritória e persistente. Mas a ACL? Chama-se de Lisboa porquê? Não pretende ser portuguesa? Então por que motivo não adopta um nome mais consentâneo com o objectivo? (Sou de Lisboa, amo Lisboa, mas gostaria muito de libertá-la do peso que lhe põem em cima ao exagerarem o seu papel de representante de todo o país). Por que motivo não conseguirá a classse de Letras da ACL fazer algo de verdadeiramente importante para a nossa língua? Ficam estas dúvidas…  

2 - Será importante não haver Academia da Língua Portuguesa? Bom, importante seria haver uma em Portugal (como há no Brasil) pois talvez ajudasse a tornar as nossas polémicas linguísticas um pouco menos dependentes das guerrinhas de tertúlia que as caracterizam. Mas, obviamente, uma Academia apenas seria mais uma tertúlia, com algum prestígio, é certo, mas mais uma. O que não tem interesse nenhum é chorarmos a não existência da dita. Em todas as questões relacionadas com a língua, temos de agir com o que temos. Temos instituições, jornais, portais e blogues que tratam questões linguísticas. Todos são de louvar, mas poderia haver mais sinergias. O recente debate sobre o acordo ortográfico envolveu um amplo leque de activistas, que deveriam cooperar mutuamente com espírito aberto e produtivo.

3 - Em todas as questões que trato neste blogue (acordo ortográfico, aportuguesamento de topónimos estrangeiros, política da língua) tenho posições de prudência, que apelam a que se mude apenas o que está mal: a oposição unilateralista ao acordo ortográfico é um erro, por isso combato-a; não se deve ter um proselitismo aportuguesador, deve-se ter em conta a situação de que partimos e agir com prudência para ir melhorando o que pode ser melhorado; a cooperação entre diversos países de língua portuguesa é fraca, por isso apoio a vontade do governo de promover uma nova política da língua. Nunca defendo a mudança só por causa de modas ou de motivos fúteis de cariz ideológico. Sou prudentemente conservador em matéria linguística, mas não defendo o imobilismo e oponho-me a exageros puristas.

Esperei pacientemente durante um mês por um esclarecimento do governo sobre quem pretende nomear para Presidente do Instituto Camões (IC). Recapitulemos: a anterior Presidente, Simonetta Luz Afonso, aposentou-se com efeitos a partir de 1 de Setembro. Desde essa data, ninguém deu nenhuma informação, nenhum jornalista perguntou seja o que for, parece que não se passa nada. Não pretendo ser demagógico, mas parece-me estranho que um lugar de tamanha importância, nomeadamente para a “estratégia da língua” que este governo diz ter, não mereça um esclarecimento, ainda que breve, sobre este estado de indefinição em que se encontra o IC. Até admito que o governo possa ter motivos lógicos e compreensíveis para adiar uma decisão, mas se admite que esteja calado. Não seria sensato dizer uma ou duas coisas que descansem a opinião pública e todos os agentes que colaboram com o IC? Obviamente, abstenho-me de divulgar a boataria que se tem vindo a ouvir, mas temo que se venha a agravar, se o governo se mantiver calado.

Machado de Assis e Portugal

1 de Outubro, 2008 por Miguel RM

Assisti nos passados dois dias a um colóquio sobre Machado de Assis, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Aproveito a notícia publicada no Ciberdúvidas para dar alguns pormenores e faço agora um pequeno comentário: o colóquio foi excelente, contando com intervenções dos melhores “machadistas” das universidades portuguesas (Abel Barros Baptista, da Univ. Nova de Lisboa, Maria Aparecida Ribeiro, da Universidade de Coimbra, e Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto), bem como de distintos especialistas brasileiros e doutras proveniências. Esta louvável inciativa deve-se à Missão do Brasil junto da CPLP e à Fundação Gulbenkian.

É com grande prazer que assinalo a página de abertura de hoje no Ciberdúvidas, inteiramente dedicada à Galiza.

No passado dia 25 de Agosto, publiquei neste blogue um artigo sobre “A Galiza e a nossa língua” em que tentei despertar o interesse pelo assunto.

É com prazer que tenho lido vários autores a condenar o neologismo inútil «palestiniano», preconizando a utilização do adjectivo «palestino», aquele que ficou consagrado ao longo da História na língua portuguesa. De facto, nunca houve motivo fundamentado para formar um adjectivo de forma diferente da que é seguida no caso dos termos “Argentina” e “Filipinas”. Nunca ninguém se lembrou de escrever «argentiniano» ou «filipiniano». Infelizmente, na História do século XX, nos anos 60, com o aparecimento da OLP e com a habitual subserviência dos media portugueses aos produtores de notícias internacionais, começou a generalizar-se o inútil «palestiniano» (por contaminação do francês «palestinien» e do inglês «Palestinian»). Certamente houve também, na altura, uma preocupação ideológica que levou à introdução do inútil neologismo: os militantes da causa palestina quereriam provavelmente marcar uma separação clara em relação a um termo antigo, com claras conotações religiosas resultantes da importância histórica da Palestina para as religiões cristãs. O resultado que hoje temos é este: as pessoas mais velhas e as editoras religiosas continuam a utilizar o adjectivo tradicional («palestino»); as pessoas mais novas e os media usam o adjectivo pseudomoderno («palestiniano»). 

Não pretendo, obviamente, que se proíba o termo «palestiniano», preconizo apenas que seja dada preferência ao termo mais correcto. Como faço sempre que pretendo expor uma opinião susceptível de animar polémicas, aqui vai mais uma declaração de interesses: não sou uma pessoa religiosa, sou agnóstico. Sou, contudo, defensor do património religiososo e da liberdade religiosa. No caso que estou aqui a debater, o adjectivo “palestino” faz parte precisamente do nosso património linguístico (neste caso, de origem religiosa) e é por isso que o defendo.