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	<title>Enxuto &#187; Geral</title>
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	<description>Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante</description>
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		<title>&#8220;O Chipre&#8221; não existe!!! Chipre é Chipre, sem artigo definido</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Sep 2011 16:29:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cada vez que se fala de Chipre nas notícias em Portugal (normalmente devido ao futebol), aparecem jornalistas a falar e a escrever sobre &#8220;o Chipre&#8221;, acrescentando um artigo definido ao nome de um país que tradicionalmente não o deve ter. Tal como Portugal, Marrocos, Cuba, Malta, Madagascar, Aragão, Castela, Leão, Navarra, Taiwan, só para dar alguns exemplos, Chipre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cada vez que se fala de Chipre nas notícias em Portugal (normalmente devido ao futebol), aparecem jornalistas a falar e a escrever sobre &#8220;o Chipre&#8221;, acrescentando um artigo definido ao nome de um país que tradicionalmente não o deve ter. Tal como Portugal, Marrocos, Cuba, Malta, Madagascar, Aragão, Castela, Leão, Navarra, Taiwan, só para dar alguns exemplos, Chipre é Chipre, NÃO É &#8220;o Chipre&#8221;.</p>
<p>Normalmente, os nomes dos países são usados com artigo definido, masculino ou feminino, mas há várias excepções, como as atrás indicadas. As ilhas, pelo contrário, normalmente não &#8220;pedem&#8221; artigo definido, como se pode ver nos exemplos de todas as ilhas com nomes de santos, em todas as ilhas da Grécia, das Antilhas e de muitos outros sítios do mundo. Há algumas excepções, que normalmente correspondem a nomes de ilhas que também são nomes comuns, isto é que designam algo de específico, como é o caso da Madeira e dos Açores, mas também há casos que não correspondem a essa explicação: a Córsega, a Sardenha, a Sicília. Muitos dos arquipélagos têm o artigo definido &#8220;as&#8221; por serem &#8220;as ilhas&#8221; qualquer coisa (Filipinas, Curilhas, Hébridas, Bahamas). Resumindo, não há nenhuma razão para que se diga &#8220;o Chipre&#8221;. Pelo contrário, deve-se dizer &#8220;Chipre&#8221; apenas, sem artigo definido.</p>
<p>Não consigo entender por que razão aparecem sempre tantos &#8220;comunicadores a falar sobre &#8220;o Chipre&#8221;. Por contágio de línguas estrangeiras,não é. Será porque a palavra é parecida com o termo &#8220;chifre&#8221;, bastando mudar uma letra? Já existe o Corno de África, será que também querem o Chifre no Mediterrâneo?</p>
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		<title>Desportivo de Trebizonda visita Lisboa e não há ninguém na imprensa que se interesse sequer por conhecer o nome da cidade</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 17:25:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na semana passada e amanhã o Sport Lisboa e Benfica enfrenta numa competição europeia uma equipa turca chamada Trabzonspor. Alguns escribas ainda disseram que o nome é impronunciável, mas ninguém se deu ao trabalho de descobrir se a cidade de Trabzon tem ou não nome português. Pois tem. É Trebizonda, cidade importante na época medieval [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada e amanhã o Sport Lisboa e Benfica enfrenta numa competição europeia uma equipa turca chamada Trabzonspor. Alguns escribas ainda disseram que o nome é impronunciável, mas ninguém se deu ao trabalho de descobrir se a cidade de Trabzon tem ou não nome português. Pois tem. É Trebizonda, cidade importante na época medieval e nome conhecido pelas pessoas familiarizadas com literatura de viagens e com alguns livros de Corto Maltese, de Hugo Pratt.</p>
<p>O que me choca nesta total ausência de curiosidade é a preguiça mental.</p>
<p>Bem sei que cresci numa época em que Portugal era um país fechado ao exterior e em que os jornalistas desportivos eram das poucas pessoas com contactos constantes com o estrangeiro. Também me lembro que eram quase sempre pessoas com conhecimentos consideráveis de Geografia e de História. Tenho a certeza que há 50 anos teria havido nos jornais quem tivesse aproveitado a circunstância do Benfica ter recebido o Trabzonspor e de se deslocar a Trebizonda para nos dizer algo sobre essa pequena cidade histórica nas margens do mar Negro.</p>
<p>Como hoje só interessa o irrelevante, tudo a que tivemos direito foi uma ou outra &#8220;graçola&#8221; sobre como o nome é impronunciável.</p>
<p>Aqui vai <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trabzon">Trebizonda </a>na Wikipedia em inglês, porque em português não há nada que interesse</p>
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		<title>Acordo ortográfico e novo governo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 12:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns dos opositores mais veementes ao acordo ortográfico (AO), como António Emiliano, Francisco Miguel Valada e Vasco Graça Moura, têm tentado nas últimas semanas reavivar a polémica, aproveitando o facto de haver um novo governo com claros propósitos reformistas, nomeadamente numa área de grande importância para a política da língua, a educação. O jornal &#8220;Público&#8221; tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dos opositores mais veementes ao acordo ortográfico (AO), como António Emiliano, Francisco Miguel Valada e Vasco Graça Moura, têm tentado nas últimas semanas reavivar a polémica, aproveitando o facto de haver um novo governo com claros propósitos reformistas, nomeadamente numa área de grande importância para a política da língua, a educação. O jornal &#8220;Público&#8221; tem acolhido generosamente alguns destes polemistas e um dos seus directores adjuntos (Nuno Pacheco) tem estado particularmente activo com artigos virulentos, facto que foi analisado na última semana pelo próprio Provedor do jornal.</p>
<p>Sem querer voltar a esta estafada polémica (quem quiser ler algo mais sobre o assunto, tem no <a href="http://ciberduvidas.sapo.pt/controversias.php?act=list&amp;subtype=Acordo%20Ortogr%E1fico">Ciberdúvidas</a> uma página bastante completa, e também um <a href="http://ciberduvidas.sapo.pt/aberturas.php?id=1251">resumo</a> das últimas declarações sobre o assunto), há que salientar que o novo ministro da Educação fez hoje um excelente discurso na Assembleia da República, no qual abordou com cuidado a questão do ensino da língua portuguesa. Os opositores ao AO, que sempre tentaram mistificar a opinião pública com a ideia de que &#8220;só eles&#8221; defendem a dita língua, estão a tentar &#8220;empurrar&#8221; este governo para que ponha a questão do AO na agenda política, mas parece-me que não vão ter sorte. Os sinais políticos que têm sido dados nas diversas áreas políticas apontam para um grande pragmatismo e não vejo sinais de vontade de alimentar polémicas desnecessárias.</p>
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		<title>O copianço no CEJ, um caso exemplar de moralismo e mediocridade</title>
		<link>http://www.enxuto.org/blogue/o-copianco-no-cej-um-caso-exemplar-de-moralismo-e-mediocridade</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 16:28:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tem-se falado bastante nos últimos dias acerca do caso do &#8220;copianço&#8221; no Centro de Estudos Judiciários (CEJ). Não sei o que espanta mais, se o moralismo de algumas &#8220;virgens indignadas&#8221;, se a mediocridade da direcção do CEJ que tentou abafar o caso. Vamos por partes: a prática do copianço não é propriamente um caso isolado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem-se falado bastante nos últimos dias acerca do caso do &#8220;copianço&#8221; no Centro de Estudos Judiciários (CEJ). Não sei o que espanta mais, se o moralismo de algumas &#8220;virgens indignadas&#8221;, se a mediocridade da direcção do CEJ que tentou abafar o caso. Vamos por partes: a prática do copianço não é propriamente um caso isolado nas nossas escolas, provavelmente nunca o foi. É muito provável que muitas das pessoas &#8220;indignadas&#8221; que se exprimiram na imprensa  tenham ao longo da sua carreira escolar copiado uma ou outra vez, ou tenham permitido a colegas o dito copianço. O problema não é haver tentativa de fugir às regras, o problema é haver da parte de quem ensina e/ou dirige o ensino uma espécie de tolerância mediocre e preguiçosa. Não se ensina nada se não forem impostas regras, ética, recompensas aos virtuosos e castigos aos prevaricadores. Qualquer &#8220;relativismo&#8221; nesta matéria só indicia mediocridade e falta de vontade de ensinar. Sem estas balizas, o próprio acto de violar a regra fica desvalorizado, banalizado, torna-se uma inutilidade balofa.  </p>
<p>Quanto à direcção do CEJ, há que ler o depoimento de <a href="http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1882985&amp;opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina">Manuel António Pina</a>, no Jornal de Notícias (JN). Lamento dizer que não me espanta o que li no JN. Infelizmente, os assuntos da Justiça em Portugal estão condicionados pelo peso excessivo das corporações do sector e o CEJ é um viveiro de membros dessas corporações.</p>
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		<title>Ainda o acordo ortográfico: alguns conselhos singelos ao novo governo</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 16:06:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Agora que tomou posse o novo governo, talvez valha a pena regressar à polémica sobre o acordo ortográfico (AO). O novo governo poderá, eventualmente, aproveitar a descrispação política que parece ter-se instalado por algum tempo para tentar fazer avançar a execução do AO. Neste blogue sempre lamentei que a polémica em torno do acordo tenha acabado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora que tomou posse o novo governo, talvez valha a pena regressar à polémica sobre o acordo ortográfico (AO). O novo governo poderá, eventualmente, aproveitar a descrispação política que parece ter-se instalado por algum tempo para tentar fazer avançar a execução do AO.</p>
<p>Neste blogue sempre lamentei que a polémica em torno do acordo tenha acabado por ficar demasiado politizada, em vez duma discussão civilizada entre pessoas com algum conhecimento sobre a matéria. A falta de cuidado de alguns inimigos do AO, que deixaram &#8220;encostar-se&#8221; à contestação algumas pessoas com posições xenófobas ou mesmo racistas (contra o Brasil, nomeadamente), prejudicou bastante a qulidade do debate.</p>
<p>O novo governo não deve olhar para trás, mas antes para a frente (apreciei sobremaneira a declaração de Passos Coelho na noite das eleições de que não iria falar do passado para &#8220;justificar&#8221; qualquer falha do presente). E a causa da defesa da língua portuguesa deve reunir todas as forças disponíveis. Entre os inimigos do AO há muitas pessoas verdadeiramente empenhadas na defesa da nossa língua e não seria inútil que houvesse a habilidade suficiente para os trazer de volta a consensos alargados sobre uma política da língua.</p>
<p>Os leitores deste blogue sabem bem que nunca fui um entusiástico defensor do acordo, mas sempre contestei que se pusesse em causa um acordo internacional por questões de menor importância. Claro que não gosto da eliminação de consoantes átonas com que estou habituado a escrever, claro que tenho adiado a aplicação do acordo neste blogue (enquanto não for obrigatório, vou-me mantendo no meu comodismo), mas aquilo que os adversários do AO não me conseguem explicar é a urgência, a necessidade, a premência de dificultar as nossas relações com os países de língua portuguesa por causa de alguns (poucos) incómodos que nos possam causar as pouquíssimas alterações ortográficas introduzidas pelo AO.</p>
<p>Se me conseguissem explicar, então talvez me convencessem que valeria a pena voltar a falar com os outros países signatários do acordo e fazer uma revisão que melhorasse o AO. Mas não seria o esforço desproporcionado?</p>
<p>Enfim, seja como for, aqui vão três conselhos singelos: em primeiro lugar, deve-se alterar o menos possível o que já está em curso. A matéria é suficientemente polémica para que mereça a pena introduzir novos factores de divisão; em segundo lugar, devem ser ouvidas todas as partes na contenda, sem hostilização de ninguém. Como tenho dito repetidamente há entre os adversários do AO muitas pessoas qualificadas e o país precisa de todas. Em terceiro lugar, tentar manter o &#8220;soufflé&#8221; desinchado, evitando dar demasiada importância ao assunto.</p>
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		<title>&#8220;Presidenta&#8221; é um disparate</title>
		<link>http://www.enxuto.org/blogue/presidenta-e-um-disparate</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Jun 2011 10:26:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mão amiga reenviou-me um curto texto a explicar por que motivo a presidente Dilma Roussef  está a fazer grossa asneira quando defende o termo &#8220;presidenta&#8221;. Eis: «Existe a palavra PRESIDENTA? Que tal colocarmos um ponto final no assunto? Em português existem particípios ativos que são derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mão amiga reenviou-me um curto texto a explicar por que motivo a presidente Dilma Roussef  está a fazer grossa asneira quando defende o termo &#8220;presidenta&#8221;. Eis:</p>
<div>
<p>«Existe a palavra PRESIDENTA?</p>
</div>
<div>
<div>
<p>Que tal colocarmos um ponto final no assunto?</p>
</div>
<div>
<p>Em português existem particípios ativos que são derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendigar é mendicante&#8230; Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade. Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não &#8220;presidenta&#8221;,<br />
independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela &#8220;ardenta&#8221;; diz-se estudante, e não &#8220;estudanta&#8221;; diz-se adolescente, e não &#8220;adolescenta&#8221;; diz-se paciente, e não &#8220;pacienta&#8221;.</p>
</div>
<div>
<p>Um bom exemplo do erro grosseiro seria:</p>
</div>
<div>
<p>&#8220;A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter-se tornado  eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, de entre tantas outras atitudes barbarizantas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta&#8221;.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Ilusión nem sempre quer dizer ilusão em português</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jun 2011 09:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[ Nos jornais desportivos de Portugal, nos últimos tempos, tem aparecido com alguma frequência o termo &#8220;ilusão&#8221; em frases que parecem um pouco absurdas na nossa língua. Exemplos: &#8220;Vamos disputar com muita ilusão o próximo jogo&#8221; ou &#8220;na nossa equipa jogamos sempre com muita ilusão&#8221;. Normalmente, trata-se de declarações de jogadores espanhóis ou da América latina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Nos jornais desportivos de Portugal, nos últimos tempos, tem aparecido com alguma frequência o termo &#8220;ilusão&#8221; em frases que parecem um pouco absurdas na nossa língua. Exemplos: &#8220;Vamos disputar com muita ilusão o próximo jogo&#8221; ou &#8220;na nossa equipa jogamos sempre com muita ilusão&#8221;. Normalmente, trata-se de declarações de jogadores espanhóis ou da América latina que são &#8220;traduzidas&#8221; à pressa e à letra nas redacções. Erro. Em espanhol, e só em espanhol (não acontece em mais nenhuma língua neolatina) o termo &#8220;ilusión&#8221; ganhou, no período romântico, uma conotação ligeiramente diferente do significado do termo original em latim. No excelente dicionário María Moliner a segunda definição de <em>ilusión</em> reza assim: <em>Alegria o felicidad que se experimenta con la posesión, contemplación  o esperanza de algo</em>. </p>
<p>Veja-se, a este propósito a entrada do dicionário da <a href="http://buscon.rae.es/draeI/SrvltConsulta?TIPO_BUS=3&amp;LEMA=ilusión">Real Academia da Língua Espanhola </a>, em especial as definições números 2, 3 e 4 ou leia-se o último parágrafo desta definição encontrada <em><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Ilusi%C3%B3n">Wikipedia</a>.</em></p>
<p>Para quem quiser uma explicação mais completa, aqui vai uma parte de um ensaio de Juliám Marías sobre o assunto:</p>
<p><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">«UN SECRETO DE LA LENGUA ESPAÑOLA.</span></strong></span></strong></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">La palabra ilusión proviene del latín <em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">illusio </span></em></span></em></span></span></span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em></em></span></em></span></span></span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">− </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Iluso: </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">el que está engañando.<span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><font style="font-family: Times New Roman; font-size: small;" face="Times New Roman" size="3">−</p>
<p></font></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Ilusor</span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">: el que engaña a otro.</span></span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><font style="font-family: Times New Roman; font-size: small;" face="Times New Roman" size="3">− <em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Ilusorio</span></em></span></em></p>
<p></font></span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">: algo que engaña.</span></span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"></span></span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><font style="font-family: Times New Roman; font-size: small;" face="Times New Roman" size="3">Pero es en el español donde comienza a aparecer el significado positivo de la palabra <em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">ilusión</span></em></span></em></p>
<p></font></span></span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">. Con este <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">significado, comienzan a surgir distintas expresiones como &#8220;</span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">tener ilusiones&#8221;, &#8220;vivir con ilusión</span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">&#8220;, etc. <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">El cambio semántico de </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">ilusión </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">tiene lugar en los primeros decenios del siglo XIX, pero no fue registrado por <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">los diccionarios hasta finales de dicho siglo. Hasta entonces, la </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">ilusión </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">era fruto de la imaginación, algo <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">engañoso, un sueño imposible de alcanzar (</span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">hacerse ilusiones</span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">). En 1875 sigue su significado negativo, pero <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">empieza a verse el positivo, aunque predomina la noción de error. Pero ya podemos ver que la </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">ilusión </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">nos es imposible de alcanzar o no, y si es así, si la podemos hacer realidad, nos brinda felicidad y satisfacción. <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Así, también cabe destacar que toda </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">ilusión </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">está inseparablemente unida a la posibilidad de la </span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">desilusión; </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">cuando no conseguimos nada, cuando creemos que algo nos va a provocar bienestar y al final no es así, </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">nos desilusionamos. </span></em></span></em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">A mediados del siglo XX se comienza a registrar la mayor parte de los aspectos positivos de esta singular <span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">palabra: </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><em><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">tener ilusiones, hacer algo o poseer algo que nos haga sentirnos bien.»</span></em></span></em></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span>Como os meus leitores bem sabem, não me incomodam muito as influências de outras línguas na nossa, mas teimo em chamar a atenção para influências que resultem apenas de ignorância pura. Já aqui me insurgi contra a generalização do termo &#8220;provador&#8221; para designar as cabines de prova nas lojas de roupa. Em português, um provador é uma <span style="text-decoration: underline;">pessoa</span> que prova, tal como um comedor é uma <span style="text-decoration: underline;">pessoa</span> que come (em espanhol, <em>comedor</em> é refeitório).</p>
<p>Não tenho ilusões (em português) quanto à eficácia destas críticas, já que a simplificação, a pressa e o imediatismo dos efeitos são verdadeiros ídolos do nosso século. Mas continuarei a fazê-las <em>con ilusión</em> (em espanhol).<em>  </em></p>
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		<title>O dia seguinte (3)</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 15:47:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mais um interessante comentário aos resultados eleitorais, desta vez de alguém &#8211; Luís M. Jorge &#8211; que anunciou ir votar em branco.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um interessante comentário aos resultados eleitorais, desta vez de alguém &#8211; <a href="http://vidabreve.wordpress.com/2011/06/06/reconciliacao/">Luís M. Jorge</a> &#8211; que anunciou ir votar em branco.</p>
<p><a href="http://vidabreve.wordpress.com/2011/06/06/reconciliacao/"></a></p>
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		<title>O dia seguinte (2)</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 14:25:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mais um interessante comentário aos resultados eleitorais, desta vez de Vasco Campilho,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um interessante comentário aos resultados eleitorais, desta vez de <a href="http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/1134592.html">Vasco Campilho</a>,</p>
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		<title>Mais alguns apontamentos pós-eleitorais</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 14:13:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>1 &#8211; Vale a pena sublinhar o facto de os dois partidos de centro-direita terem obtido mais de 50 % dos votos expressos, o centro-esquerda se ter ficado pelos 28 % e a esquerda por uns míseros 13 %. São dados incontornáveis e é normal que na esquerda do espectro político haja muitas interrogações, excepto no PC, que não se precisa de preocupar com tais pormenores, pois até ganharam um deputado. Como eles dizem com grande desfaçatez, foram os únicos à esquerda que não foram derrotados. A crise das esquerdas não é um dado especificamente português: por toda a Europa em crise, em vez de governos &#8220;progressistas&#8221; ou de esquerda, reinam partidos liberais e/ou conservadores. Em Portugal, a cura de reflexão impõe-se no PS e no BE. No PS, o primeiro passo está dado com a demissão de Sócrates, no BE ainda estamos à espera duma reacção adequada do &#8220;coordenador&#8221;.</p>
<p>2 &#8211; Quanto ao futuro do PS, há que dizer que qualquer dos 3 candidatos de que se fala (Assis, Costa e Seguro) poderá ser uma lufada de ar fresco depois dos anos de adormecimento e anulação do partido impostos por Sócrates e companhia. Não tenho dúvida de que Costa será o mais brilhante dos três e que Assis tem ganho nos últimos tempos uma notoriedade merecida, mas ambos, quanto a mim, foram demasiado longe na proximidade com Sócrates. Seguro, pelo contrário, é o único dos candidatos que manteve uma prudente reserva, nomeadamente por não ter falado no Congresso de Matosinhos e porque, praticamente isolado, fez apelos sinceros ao entendimento com o PSD e o CDS numa altura em que no PS só se afiavam facas para o &#8220;combate&#8221; eleitoral. Não sei se esta sua postura será valorizada pelos militantes do PS, mas certamente coloca-o numa posição de credibilidade enquanto candidato a mais altos voos. Tem contra ele uma imagem de &#8220;aparelhista&#8221; e de &#8220;menino bem comportado&#8221;. Mas não sei se isso não acabará por o beneficiar. Veja-se o caso de Passos Coelho: o PS adoptou como seu discurso anti-Passos Coelho aquilo que se intuia ser a opinião de muitos &#8220;barões&#8221; do PSD acerca do homem. Numa primeira fase, o esquema pareceu surtir efeito, mas à medida que a campanha foi avançando, alguém no PSD terá percebido que a imagem de &#8220;pessoa normal&#8221; era um trunfo importante e aquilo que parecia ser um defeito (a banalidade) começou a &#8220;passar&#8221; como qualidade (a normalidade). Há na História da democracia em Portugal vários casos de políticos que foram sendo, de início, desprezados por &#8220;barões&#8221; e jornalistas como pessoas de &#8220;pouco nível&#8221; e que souberam superar essa desconfiança com talento. Os exemplos mais conhecidos são Cavaco, é claro, mas também Sócrates no início da sua ascenção. Há uma espécie de snobismo lisboeta contra quaisquer novos talentos que apareçam de fora dos circulos habituais, mas essa snobeira vira-se contra quem a promove e é precisamente essa a força dos políticos que conseguem fazer passar uma imagem de &#8220;pessoa comum&#8221;. O meu amigo Porfírio Silva acusa-me de &#8220;elitismo&#8221; (devo dizer que, bem vistas as coisas, o termo nem sequer me ofende), como se pode ver nos comentários dos últimos dias (<a href="http://www.enxuto.org/blogue/um-voto-de-esperanca-por-um-governo-capaz-e-um-ps-renovado">Um voto de esperança&#8230;</a>), mas a verdade é que nunca me deixei levar pela agressividade social inerente a estes juízos de pretensa superioridade de alguns iluminados. Do mesmo modo se pode dizer que a aura de &#8220;génios&#8221; de que gozam certos políticos (Salazar, Cunhal, Soares, Sá Carneiro, Louçã, Portas, os próprios Cavaco e Sócrates) é bem ilustrativa do olhar pouco informado que existe sobre a política, os seus limites e os seus constrangimentos. Para mim não é desinteressante um político parecer &#8220;uma pessoa comum&#8221;, pelo contrário vejo nessa imagem uma medida justa e adequada do que a política deveria ser. </p>
<p>3 &#8211; Agora, algo sobre o acordo ortográfico (AO): alguns comentadores aproveitaram a previsão de derrota eleitoral do PS para tentarem relançar a polémica anti-acordo. A tentativa de colagem do AO ao PS é sumamente ridícula, voltando a pôr em evidência os poucos escrúpulos intelectuais de alguns militantes anti-AO mais aguerridos. Durante vários anos tentei mostar que a falta de cuidado dos opositores anti-AO (ao permitirem ser misturados com pessoas xenófobas) só prejudicava a causa que pretendiam defender. Parece haver quem não aprenda&#8230;</p>
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