Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Robot ou robô?

23 de Abril, 2009 por Miguel RM

Um amigo fez-me a seguinte pergunta:

«Apesar de se usar “robô”, gosto mais de “robot”, até porque daí “sai” mais facilmente “robótica”. Até que ponto isto é mais ou menos orto/heterodoxo?»

Eis o que respondi:

«Há uma tendência forte nos últimos anos para aportuguesar palavras de origem francesa e o aportuguesamento de robot (que, como sabes, nem sequer é uma palavra francesa) parece decorrer de contaminação dessa tendência : dossiê, ateliê, robô. Penso que a facilidade com que se aceita o aportuguesamento de palavras francesas (ou que “parecem” francesas) decorre da perda de prestígio internacional dessa língua, por comparação com o inglês e até com o espanhol. Não gosto nada desta tendência, mas não tenho outro remédio que não seja segui-la. Se não a quiseres seguir, o que é uma escolha legítima, aconselho-te e grafar “robot” em itálico, pois assim indicas claramente ter a noção de ser um termo estrangeiro.»

4 Comentários »

  1. Relevante sobre este tema é ler este post:

    http://blog.criticanarede.com/2009/03/robotnik.html

    Parabéns por ter trazido esta questão, Miguel.

    Desidério Murcho
  2. Tudo isso é muito interessante, mas todas as línguas estão cheias de impurezas, imperfeições e imprecisões que foram ganhando estatuto de “palavras correctas” por se terem imposto com o uso. Podemos lamentá-lo, mas não podemos evitá-lo.

    Miguel RM
  3. Quem é que hoje preferiria usar bonnet ou bidet em vez de boné e bidé?
    Quando palavras estrangeiras entram no uso corrente é perfeitamente aceitável aportuguesá-las se tal for possível. Dentro desta linha de raciocínio, concordo com o aportuguesamento de termos como robot, pivot e dossier.
    Há quem objecte contra estes e outros aportuguesamentos, dizendo que é necessário indicar a origem das palavras. Então deveriam usar football, como era corrente por volta de 1930, ou beef.

    João Manuel Maia Alves
  4. Caro João Manuel, não contesto o que diz, mas penso que há que ser prudente ao aportuguesar, para evitar reacções de rejeição. Vou escrever hoje uma entrada sobre esse assunto.

    Miguel RM

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