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	<title>Comentários em: Quem faz normalização (resposta a Desidério Murcho)</title>
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	<description>Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante</description>
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		<title>Por: Desidério Murcho</title>
		<link>http://www.enxuto.org/blogue/quem-faz-normalizacao-resposta-a-desiderio-murcho/comment-page-1#comment-61</link>
		<dc:creator>Desidério Murcho</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2008 12:08:20 +0000</pubDate>
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		<description>Desprezei as outras línguas, Miguel, porque não são relevantes exemplos do que não se deve fazer. A única resposta ao centralismo estrangeiro é que é tão mau quanto o centralismo português. Há muita coisa errada nas sociedades humanas que, por serem comuns, as pessoas nem se apercebem que são profundamente erradas. Presumo que o mesmo acontecia quando uma pessoa como Mill apareceu a dizer que as mulheres deviam ser tratadas como iguais perante a lei, poder votar, poder exercer cargos políticos, etc. As pessoas provavelmente diziam que era uma utopia, e usavam os inúmeros exemplos de outros países avançados nos quais as mulheres também não tinham direitos. O que eu estou a pedir é uma justificação para legislar sobre a língua. Ora não me parece que tal coisa seja possível. Porque das duas uma: ou há gente competente e as normas que eles produzirem acabam por se impor naturalmente; ou não há gente competente, e não vão surgir por geração espontânea quando o legislador precisar deles.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Desprezei as outras línguas, Miguel, porque não são relevantes exemplos do que não se deve fazer. A única resposta ao centralismo estrangeiro é que é tão mau quanto o centralismo português. Há muita coisa errada nas sociedades humanas que, por serem comuns, as pessoas nem se apercebem que são profundamente erradas. Presumo que o mesmo acontecia quando uma pessoa como Mill apareceu a dizer que as mulheres deviam ser tratadas como iguais perante a lei, poder votar, poder exercer cargos políticos, etc. As pessoas provavelmente diziam que era uma utopia, e usavam os inúmeros exemplos de outros países avançados nos quais as mulheres também não tinham direitos. O que eu estou a pedir é uma justificação para legislar sobre a língua. Ora não me parece que tal coisa seja possível. Porque das duas uma: ou há gente competente e as normas que eles produzirem acabam por se impor naturalmente; ou não há gente competente, e não vão surgir por geração espontânea quando o legislador precisar deles.</p>
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		<title>Por: Miguel RM</title>
		<link>http://www.enxuto.org/blogue/quem-faz-normalizacao-resposta-a-desiderio-murcho/comment-page-1#comment-60</link>
		<dc:creator>Miguel RM</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2008 07:55:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.enxuto.org/?p=36#comment-60</guid>
		<description>Caro Desidério,

Aqui estou eu a discutir com o meu adversário preferido. É muito curioso que tenha escolhido falar no papel do Oxford English Dictionary (OED) para a língua inglesa e tenha optado por desprezar os exemplos das outras línguas. No mundo anglo-saxónico existe uma longa tradição histórica de auto-regulação, que não encontramos noutras culturas com a mesma intensidade. Mas não quero fugir ao debate e vou mesmo pegar no exemplo: num país como Portugal onde é que poderíamos encontrar uma universidade que desempenhasse um papel equivalente? Pelo lado histórico, até posso conceber que Coimbra seria candidata. Mas será exiquível? Qual seria a reacção das outras universidades? Lisboa e Porto colaborariam com a simpática cidade do centro do país? Espero para ver. Quanto a dicionários, diz: «Logo, tudo o que o estado tem a fazer é seguir um dos dicionários, nomeadamente o mais comum. Não precisa de legislar sobre a língua.&quot; A verdade é que o Estado se farta de legislar sobre a língua e não posso deixar de concordar consigo quanto à crítica de que legisla demais, mas sobretudo legisla mal. Basta ver o que tem acontecido com o ensino da língua portuguesa nas últimas duas décadas ou lembrar episódios lamentáveis como o do TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário). O ensino da língua portuguesa demonstra claramente que deveríamos reivindicar melhor legislação, e não nenhuma legislação. É que grande parte dos problemas com o ensino da nossa língua não foram &quot;inventados&quot; pelos políticos. Foram criados por linguistas. A ideia de que num lado estão os profissionais puros e imaculados e noutro os políticos impuros e sujos é demagogia pura. Sinceramente, conhecendo uns e outros, não temo afirmar que deverá haver percentagens idênticas de bons, maus e medianos. Tenho muita simpatia pela utopia anti-reguladora do meu interlocutor Desidério Murcho, mas dificilmente me consegue convencer que é exequível. Como gosto de discutir com espírito aberto, não estou certo de que não venha a mudar de opinião, mas por enquanto estou longe disso.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Desidério,</p>
<p>Aqui estou eu a discutir com o meu adversário preferido. É muito curioso que tenha escolhido falar no papel do Oxford English Dictionary (OED) para a língua inglesa e tenha optado por desprezar os exemplos das outras línguas. No mundo anglo-saxónico existe uma longa tradição histórica de auto-regulação, que não encontramos noutras culturas com a mesma intensidade. Mas não quero fugir ao debate e vou mesmo pegar no exemplo: num país como Portugal onde é que poderíamos encontrar uma universidade que desempenhasse um papel equivalente? Pelo lado histórico, até posso conceber que Coimbra seria candidata. Mas será exiquível? Qual seria a reacção das outras universidades? Lisboa e Porto colaborariam com a simpática cidade do centro do país? Espero para ver. Quanto a dicionários, diz: «Logo, tudo o que o estado tem a fazer é seguir um dos dicionários, nomeadamente o mais comum. Não precisa de legislar sobre a língua.&#8221; A verdade é que o Estado se farta de legislar sobre a língua e não posso deixar de concordar consigo quanto à crítica de que legisla demais, mas sobretudo legisla mal. Basta ver o que tem acontecido com o ensino da língua portuguesa nas últimas duas décadas ou lembrar episódios lamentáveis como o do TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário). O ensino da língua portuguesa demonstra claramente que deveríamos reivindicar melhor legislação, e não nenhuma legislação. É que grande parte dos problemas com o ensino da nossa língua não foram &#8220;inventados&#8221; pelos políticos. Foram criados por linguistas. A ideia de que num lado estão os profissionais puros e imaculados e noutro os políticos impuros e sujos é demagogia pura. Sinceramente, conhecendo uns e outros, não temo afirmar que deverá haver percentagens idênticas de bons, maus e medianos. Tenho muita simpatia pela utopia anti-reguladora do meu interlocutor Desidério Murcho, mas dificilmente me consegue convencer que é exequível. Como gosto de discutir com espírito aberto, não estou certo de que não venha a mudar de opinião, mas por enquanto estou longe disso.</p>
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		<title>Por: Desidério Murcho</title>
		<link>http://www.enxuto.org/blogue/quem-faz-normalizacao-resposta-a-desiderio-murcho/comment-page-1#comment-57</link>
		<dc:creator>Desidério Murcho</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 22:15:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.enxuto.org/?p=36#comment-57</guid>
		<description>Caro Miguel, o seu argumento não funciona por dois motivos. 

Primeiro, se a sociedade portuguesa não produzisse por si normas linguísticas, isso seria sinal de que não temos gente competente para o fazer e por isso elas não surgiriam por geração espontânea quando o estado quisesse legislar. Esta é a razão pela qual as reformas ortográficas parecem sempre ser feitas por pessoas incompetentes: claro, se fossem competentes, elas não precisariam do estado para que as suas ideias fossem livremente seguidas pela generalidade das pessoas.  

Segundo, não é verdade que a sociedade portuguesa não tenha produzido normas. Produziu inúmeros dicionários ao longo dos anos — maus, é verdade, mas produziu. Logo, todo o que o estado tem a fazer é seguir um dos dicionários, nomeadamente o mais comum. Não precisa de legislar sobre a língua. 

Quanto aos exemplos que me dá, não tenho conhecimento se há alguma lei que torne o OED lei, mas muito me espantaria se isso acontecesse. E se acontece está errado. Errado porque é desnecessário. E só devemos legislar quando é necessário. Este é o princípio democrático central que precisa de ser refutado para se poder defender que é legítimo legislar sobre a língua, dado que é óbvio que a sua não legislação não impede o surgimento natural de normas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Miguel, o seu argumento não funciona por dois motivos. </p>
<p>Primeiro, se a sociedade portuguesa não produzisse por si normas linguísticas, isso seria sinal de que não temos gente competente para o fazer e por isso elas não surgiriam por geração espontânea quando o estado quisesse legislar. Esta é a razão pela qual as reformas ortográficas parecem sempre ser feitas por pessoas incompetentes: claro, se fossem competentes, elas não precisariam do estado para que as suas ideias fossem livremente seguidas pela generalidade das pessoas.  </p>
<p>Segundo, não é verdade que a sociedade portuguesa não tenha produzido normas. Produziu inúmeros dicionários ao longo dos anos — maus, é verdade, mas produziu. Logo, todo o que o estado tem a fazer é seguir um dos dicionários, nomeadamente o mais comum. Não precisa de legislar sobre a língua. </p>
<p>Quanto aos exemplos que me dá, não tenho conhecimento se há alguma lei que torne o OED lei, mas muito me espantaria se isso acontecesse. E se acontece está errado. Errado porque é desnecessário. E só devemos legislar quando é necessário. Este é o princípio democrático central que precisa de ser refutado para se poder defender que é legítimo legislar sobre a língua, dado que é óbvio que a sua não legislação não impede o surgimento natural de normas.</p>
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