“Presidenta” é um disparate
9 de Junho, 2011 por Miguel RMMão amiga reenviou-me um curto texto a explicar por que motivo a presidente Dilma Roussef está a fazer grossa asneira quando defende o termo “presidenta”. Eis:
«Existe a palavra PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um ponto final no assunto?
Em português existem particípios ativos que são derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendigar é mendicante… Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade. Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”,
independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela “ardenta”; diz-se estudante, e não “estudanta”; diz-se adolescente, e não “adolescenta”; diz-se paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter-se tornado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, de entre tantas outras atitudes barbarizantas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Há tempos que não lia teu blogue. Muito bom artigo! “Presidenta”: palavrinha horrível.
Lamento dizer que temos “entendidos” por aqui dizendo que o termo é aceitável pela norma culta (?)…
Inclusive contratados para explicar o inexplicável nos meios oficiais de propaganda.
Somos obrigados a ler e ouvir a infeliz palavra o tempo todo na imprensa.
O mais triste: já não estou a achar tão errado assim… acho que já estou acostumado. Salvem-me linguistas sérios!
Janeiro 3rd, 2012
Caro Claudio,
Os linguistas são como toda a gente, vivem no mundo. Essa da “norma culta” é um alibi frequentemente utilizado por linguistas laxistas, ou pior, por linguistas com uma “agenda revolucionária” para a língua. Sabe bem, pelo que eu escrevo, que não sou nada purista, mas compreendo bem como é necessário entre os linguistas promover um conservadorismo prudente.
Janeiro 3rd, 2012