Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Acabou ontem o Congresso Internacional Fernando Pessoa que decorreu durante quatro dias em Lisboa. Não estive propriamente presente em tudo, mas apenas em duas tardes, e assisti a uma mesa-redonda muito interessante, que quero aqui relatar, sobre “A influência de Fernando Pessoa na cultura brasileira”. António Cícero tentou demonstrar que o trabalho de divulgação póstuma da obra de Pessoa nas décadas de 50, 60 e 70 do século passado foi dando frutos no Brasil ao mesmo tempo que em Portugal. O Tropicalismo, grande movimento cultural com destaque na música (Caetano Veloso) e no cinema (Glauber Rocha), foi influenciado, segundo as palavras do próprio Caetano, pelo messsianismo pessoano que ele apreendeu nas aulas de Agostinho da Silva na Universidade de Salvador. Leyla Perrone-Moisés destacou o facto de desde os anos 30 haver leituras públicas de Pessoa nos meios intelectuais, sendo clara a influência de Pessoa nos dois maiores poetas brasileiros do século XX (João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade). Maria Lúcia Dal Farro falou das relações de Cecília Meireles com a obra de Pessoa. No debate que se seguiu, Arnaldo Saraiva falou nas relações entre os Modernismos brasileiro e português e na importância que tiveram para a divulgação da literatura portuguesa no Brasil três grandes professores que por lá viveram por motivos políticos: Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena e Agostinho da Silva. A frase do dia, para mim, foi esta: “Há muita coisa que se pode aprender no diálogo entre Brasil e Portugal (com ou sem acordo ortográfico)”. Essa é exactamente a minha posição sobre o acordo ortográfico (AO), pois atribuo-lhe uma importância limitada. Muito mais importante é haver em Portugal uma empatia com a cultura brasileira, não porque isso interessa ao Brasil, mas sim porque isso interessa a Portugal, é um factor de qualificação dos portugueses, é uma carta que enriquece os nossos currículos.

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