Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Cada vez que surgem notícias de áreas geográficas pouco usuais, os diversos meios noticiosos portugueses utilizam na nossa língua várias grafias, consoante o gosto de quem redige (e/ou revê?) a notícia. Este lamentável estado de coisas é devido à total incapacidade para definir regras sensatas e segui-las, que tanto prejudica a nossa vida pública em muitas áreas. Já nem falo na nossa débil, quase inexistente, política da língua. Falo, por exemplo, da presença do Estado em organismos como a Lusa, a RTP e a RDP. Se existem essas entidades públicas sob o pretexto da “defesa do interesse público”, há que perguntar se não deveria estar contemplada nos respectivos contratos a obrigação de zelar pela correcta grafia dos diversos nomes que vão surgindo na actualidade noticiosa. Na BBC, por exemplo, os locutores de televisão têm à sua disposição um serviço de linguistas especializados que os esclarecem quanto à pronúncia correcta dos nomes estrangeiros. Em Portugal, como se sabe, quando há dúvidas, pronuncia-se à inglesa e pronto!

Pois agora é a Abcásia que está na berlinda:

- Há quem escreva Abkhásia, usando o conjunto de letras “kh” que em inglês serve para imitar uma espécie de “R” muito usual nos nomes árabes e do Médio Oriente em geral (“Khomeini”, que se lê “Rrromeini”). Mantém-se este “kh”, que ninguém sabe como ler em português, mas introduz-se o acento agudo no “a”, para que se leia correctamente em português, pois em o acento a tónica seria na penúltima silaba ”si”.

- Há também quem escreva “Abecásia”, certamente poer considerar que o “e” mudo é essencial em português para desfazer conjuntos de consoantes não usuais em português, no caso o “bc” de Abcásia. Esta ideia absurda já levou a que se acrescentasse um inútil “e” mudo a Amsterdão, nome que se escreve assim (“Amster” que quer dizer “do (rio) Amstel”) em todas as línguas latinas (incluindo o português do Brasil!!).

Um apelo: por favor, escrevam “Abcásia” (ou “Abkásia”, se preferirem), pois o termo está consagrado há muito nos melhores jornais de língua portuguesa.

2 Comentários »

  1. Caro Miguel RM.
    Reparo que o seu site consta num dos primeiros lugares do Blogómetro (weblog.com.pt/portal/blogometro), com estatísticas referenciadas ao site americano Open Left (www.openleft.com).
    Uma análise ao código-fonte do Enxuto permite visionar que a página nem sequer possui código do Sitemeter, utilizado na indexação feita pelo Blogómetro.
    Será uma estranha “fraude estatística”?

    Daniel Carrapa
  2. Caro leitor,

    Nem sei de que é que está a falar, pois sou um utilizador bastante “básico”, como se vê pela pobreza do meu blogue, quase só com texto. Portanto, “fraude estatística” não é certamente, pois eu não agi em nenhum sentido. Vou informar-me com a equipa que me dá apoio, só porque sou curioso e, já agora, gostaria de saber o que se passa.

    Miguel RM

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