Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Num texto de ontem, no Ciberdúvidas, é tratada com bom senso e equilíbrio a questão da designação da cidade indiana de Bombaim. As realidade pós-coloniais têm criado, nos últimos anos, uma série de problemas linguísticos com os topónimos. A maior parte desses problemas provém duma sensibilidade aguda de algumas nações ex-colonizadas perante as designações tradicionais que eram usadas na língua da potência colonizadora. Foi assim que a República Popular da China quis impor, nos últimos anos, a sua norma de transliteração das palavras escritas em mandarim para as línguas com alfabeto latino. Não tenho uma posição definitiva sobre o assunto, mas enerva-me a pressa com que alguns órgãos de comunicação vão atrás de todas as exigências vindas do chamado “3º Mundo”. Sejamos claros, a forma como é feita a tranliteração de mandarim para português é uma questão para ser resolvida pelos países de língua portuguesa. Depois de séculos a escrever “Pequim” haverá algum argumento sólido para que devamos mudar para “Beijing”??? Duvido. Será que devemos obedecer às autoridades da Costa do Marfim que querem que o nome do seu país seja sempre em francês, não aceitando a tradução noutras línguas? Em Angola, como se trata duma exigência dum país africano, todos os órgãos de comunicação social escrevem “Côtre d’Ivoire”, obedecendo assim às exigências daquele país.

A minha posição é de prudência. Não devemos apressar-nos a obedecer às exigências políticas de países estrangeiros. Está certo que o ministério dos Negócios Estrangeiros respeite as regras protocolares e escreva como os países nossos parceiros exigem. Mas, na sociedade em geral, deveríamos ser prudentes e não nos apressarmos a mudar hábitos linguísticos, até porque nos arriscamos a ter de seguir num dia uma dada directiva e na semana seguinte logo outra.

É claro que tudo isto é muito difícil em Portugal pela ausência de instâncias de regulação linguística. Com esta ausência, ficamos todos desarmados perante os diktats dos países emergentes e o activismo militante dos seus amigos portugueses.

Deixe um comentário