Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Acabou a 7ª Cimeira da CPLP, que se realizou em Lisboa, Portugal assumiu a presidência por dois anos e a promoção da língua portuguesa foi considerada a grande prioridade da organização. Assim se encerra esta “época” de grande debate sobre a nossa língua, que encheu páginas de jornais e horas de transmissão radiofónica e televisiva. A oposição à ratificação do acordo ortográfico teve um grande mérito que foi o de colocar a questão da língua na agenda mediática, obrigando também aqueles que o defendem a exporem-se com mais determinação.

As feridas abertas por esta questão não estão saradas, mas talvez venham a perder gravidade. Pior do que essas feridas é o que subjaz, em muitos casos, à hostilidade ao acordo: o ressentimento pós-colonial, a teoria da conspiração de que nos estamos a submeter ao Brasil (alguém conseguiu demonstrar tal coisa?), as guerrinhas e invejas omnipresentes na vida universitária portuguesa, a incapacidade de olhar sem complexos para o papel de Portugal num mundo globalizado.

Este blogue esteve empenhado durante estes primeiros meses de existência em criticar os fundamentos isolacionistas (e, por vezes, xenófobos) de alguns signatários da petição contra o acordo ortográfico. Tentou fazê-lo sem hostilizar os muitos signatários dessa mesma petição que são pessoas empenhadas em defender a língua portuguesa e que não subscrevem certamente posições isolacionistas, nem muito menos xenófobas. Mas, não se livram da crítica por se terem aproveitado de sentimentos negativos presentes em sectores da opinião pública portuguesa só para poderem aumentar o número de peticionistas. Como diz o ditado, “Quem se deita com cães acorda com pulgas”.

O autor deste blogue parte para férias. Entretanto deixa no ar mais algumas questões:

- Tal como foi sublinhado por muitos comentaristas, o futuro do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IICL) continua a parecer pouco promissor. Haverá certamente negociações em curso, que necessitarão de algum recato, mas em devido tempo seria bom que se soubesse o que se está a passar, por que motivo não há capacidade para dotar o IICL com mais meios, quais os países que estão a travar, etc.

- Ainda neste ano haverá eleições legislativas em 3 países da CPLP (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique) que soferam durante muitos anos de regimes de partido único. Estamos a “torcer” para que corram bem, mas gostaríamos também de ter mais informação, mais análise independente e mais empenhamento da imprensa portuguesa para cobrir esses importantes actos políticos. Se a evolução política nestes países for positiva, todo o mundo de língua portuguesa lucrará com isso.

- Em Portugal também haverá várias eleições em 2009. Espera-se que a luta política seja útil para o país.

Como disse, vou de férias. Regressarei no dia 18 de Agosto…

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