Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Uma revista portuguesa com o título inglês “Happy Woman” traz em destaque no seu número de Março um artigo sobre “Kabbalah, a filosofia de vida que transformou Madonna”. Como existe em português o termo “cabala”, comecei por pensar que a pessoa que tinha escrito o artigo ignorava esse vocábulo da língua portuguesa. Fui ler o artigo e fiquei estupefacto, pois nele se afirma que “Kabbalah” é uma filosofia de vida, ao contrário da palavra portuguesa “cabala”, que significaria apenas “conspiração”.

Consultei alguns dicionários e enciclopédias em linha, como o Porto Editora, o Michaelis, a Wikipédia. Em todos encontrei definições correctas sobre o que é a cabala, ou seja, o mesmo que a “Kabbalah” (palavra escrita numa língua qualquer estrangeira, provavelmente inglês). Encontrei ainda no Ciberdúvidas uma explicação interessante para a confusão que parece reinar na cabeça da pessoa que escreveu o artigo.

É claro que não se deve esperar muito duma revista que opta por abordar o tema da cabala por considerar importantíssimo o facto de Madonna, esse ícone da vulgata feminista, seguir essa prática filosófica. A pobre Madonna, que até é uma boa cantora pop, não é propriamente responsável pela estupidez dos seus admiradores, mas sabe muito bem aproveitar seja o que for para que se fale dela. ..

Este episódio só me interessa pelo que revela mais uma vez: para certas pessoas, a língua portuguesa não tem “prestígio” suficiente para designar correctamente determinadas realidades. É por isso que abundam em Portugal os “call centers” (que poderiam ser designados em português “linha directa”) e muitos outros exemplos de vocábulos ingleses, como poderá verificar nesta página do Ciberdúvidas.   

Quem se interesse pelo tema poderá também consultar a página “Anglicismos“, um trabalho realizado por dois alunos da Escola Superior de Educação de Viseu, orientados pelo seu professor de Inglês, John McKenny.

 

3 Comentários »

  1. ‘Kabbalah’ deriva do hebraico ‘Le’Kabel’ e significa literalmente “receber”. Por esse motivo não pode ou deve ser traduzido para o português.
    http://www.illuzia.net
    http://www.kabbalah.info
    http://www.kab.info

    Felicidades!

    Kabbalah.PT
  2. Muito interessante! Uma das páginas que me envia é do “Instituto de Educação e Pesquisa de Cabala”. Então “pode-se” ou não traduzir o termo? Esta pequena polémica não é diferente da que existe em torno da tradução de outros termos estrangeiros. A questão de fundo é sempre a mesma: os militantes mais radicais de certas causas pensam que podem “mandar” nas línguas dos outros. É claro que se a nossa língua beneficiasse duma política regulatória firme poderia resistir sem problemas a estes “diktats”. Não tendo, não pode…

    Miguel RM
  3. Então, não ”

    está na cara`” que Kabbalah é muito mais chic(?)
    interessante e misterioso!!!!

    É o eterno provincianismo tão português. Faz parte da nossa cultura!!!!

    E é bom para nos pôr a sorrir….

    Elisabeth Marques

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