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	<title>Comentários em: Jornada sobre el Portugués Oliventino, no próximo sábado em Olivença</title>
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	<description>Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante</description>
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		<title>Por: Carlos Eduardo da Cruz Luna</title>
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		<dc:creator>Carlos Eduardo da Cruz Luna</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 21:54:00 +0000</pubDate>
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		<description>UM ESTRONDOSO ÊXITO, A JORNADA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA DO DIA 28 DE FEVEREIRO DE 2009
O dia amanheceu sem nuvens significativas. O Sol pareceu querer saudar o evento. E não
era para menos!
Neste dia 28 de Fevereiro de 2009, e pela primeira vez desde 1801, a Língua Portuguesa
manifestava-se livremente em Olivença. Mais do que isso, com a &quot;cobertura&quot; das
autoridades espanholas máximas a nível local e regional. E, talvez ainda (!) mais
importante do que tudo isso, graças à iniciativa, ao esforço, à coragem de uma associação
oliventina, a Além-Guadiana.
Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E talvez por acaso, pois
outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação portugueses,
empenhados com outras realidades informativas. De facto, decorria o Congresso do Partido
do Governo em Lisboa.
A Jornada do Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto Convento português de
São João de Deus. Num clima de alguma emoção. Estava-se a fazer História... e quase 200
pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio Torres, o &quot;herói&quot; do
mirandês Amadeu Ferreira, e... bem... fiquemos por aqui!
Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández
Vara. Curiosamente, um oliventino. Foi comovente ouvi-lo confessar que, na sua casa
paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele ainda conserva, apesar
de já ser bem crescidinho... e Presidente duma região espanhola.
De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de Olivença, Manuel Cayado,
falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e acentuando o papel de
Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.
Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma breve intervenção, em
que se destacou a insistência no aspecto cultural da Jornada.
Juan Carrasco González, um conhecido catedrático, falou das localidades extremenhas,
quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para Olivença, e defendeu
que tal característica se deveria conservar.
Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto dos Direitos
Humanos e Consultor do Conselho da Europa, vindo de Navarra, embora nascido no País
Basco, que defendeu as línguas
minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação às mesmas. Informou
a assistência sobre o ocorrido com o Português de Olivença. De facto, o Conselho da
Europa já havia pedido informações ao Estado Espanhol sobre este desde 2005, sem que
Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana, fora possível conhecer
detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.
Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o papel da Língua
Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso foi extremamente
importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava (e ainda há quem procure)
menorizar o Português face ao &quot;poderio planetário&quot; do espanhol/castelhano.
Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a voz de alguns
oliventinos, em Português, bem alentejano no vocabulário e no sotaque, em intervenções
comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão
linguística não muito longe no tempo.
À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (pela fala galega, nascido na raia extremenha) e
José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), ambos
professores universitários, que continuaram a elogiar políticas de recuperação e
conservação de línguas minoritárias. O segundo fez mesmo o elogio da existência de
fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão de culturas
diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.
Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a
experiência significativa de recuperação, quase milagrosa, do Mirandês, a partir de uma
muito pequena comunidade de falantes, convencidos, afinal erradamente, de que aquela
língua tinha chegado ao
fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.
Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a propósito dos
projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à &quot;oficialização&quot;.
Queixou-se do estado de abandono em que se sentia o povo de Barrancos face a Lisboa.
No final, foi projectado um curto filme sobre o Português oliventino, organizado por Mila Gritos. Nele surgiam
oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os
preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias
pitorescas. A finalizar o &quot;documentário&quot;, uma turma de jovens alunos de uma escola numa
aula de Português
pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.
Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação
Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características alentejanas do Português de
Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.
A noite já tinha caído quando, e não sem muitos cumprimentos e alegres trocas de
impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada abandonaram o local. Com a
convicção de que tinham assistido a algo notável.
Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>UM ESTRONDOSO ÊXITO, A JORNADA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA DO DIA 28 DE FEVEREIRO DE 2009<br />
O dia amanheceu sem nuvens significativas. O Sol pareceu querer saudar o evento. E não<br />
era para menos!<br />
Neste dia 28 de Fevereiro de 2009, e pela primeira vez desde 1801, a Língua Portuguesa<br />
manifestava-se livremente em Olivença. Mais do que isso, com a &#8220;cobertura&#8221; das<br />
autoridades espanholas máximas a nível local e regional. E, talvez ainda (!) mais<br />
importante do que tudo isso, graças à iniciativa, ao esforço, à coragem de uma associação<br />
oliventina, a Além-Guadiana.<br />
Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E talvez por acaso, pois<br />
outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação portugueses,<br />
empenhados com outras realidades informativas. De facto, decorria o Congresso do Partido<br />
do Governo em Lisboa.<br />
A Jornada do Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto Convento português de<br />
São João de Deus. Num clima de alguma emoção. Estava-se a fazer História&#8230; e quase 200<br />
pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio Torres, o &#8220;herói&#8221; do<br />
mirandês Amadeu Ferreira, e&#8230; bem&#8230; fiquemos por aqui!<br />
Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández<br />
Vara. Curiosamente, um oliventino. Foi comovente ouvi-lo confessar que, na sua casa<br />
paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele ainda conserva, apesar<br />
de já ser bem crescidinho&#8230; e Presidente duma região espanhola.<br />
De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de Olivença, Manuel Cayado,<br />
falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e acentuando o papel de<br />
Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.<br />
Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma breve intervenção, em<br />
que se destacou a insistência no aspecto cultural da Jornada.<br />
Juan Carrasco González, um conhecido catedrático, falou das localidades extremenhas,<br />
quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para Olivença, e defendeu<br />
que tal característica se deveria conservar.<br />
Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto dos Direitos<br />
Humanos e Consultor do Conselho da Europa, vindo de Navarra, embora nascido no País<br />
Basco, que defendeu as línguas<br />
minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação às mesmas. Informou<br />
a assistência sobre o ocorrido com o Português de Olivença. De facto, o Conselho da<br />
Europa já havia pedido informações ao Estado Espanhol sobre este desde 2005, sem que<br />
Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana, fora possível conhecer<br />
detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.<br />
Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o papel da Língua<br />
Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso foi extremamente<br />
importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava (e ainda há quem procure)<br />
menorizar o Português face ao &#8220;poderio planetário&#8221; do espanhol/castelhano.<br />
Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a voz de alguns<br />
oliventinos, em Português, bem alentejano no vocabulário e no sotaque, em intervenções<br />
comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão<br />
linguística não muito longe no tempo.<br />
À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (pela fala galega, nascido na raia extremenha) e<br />
José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), ambos<br />
professores universitários, que continuaram a elogiar políticas de recuperação e<br />
conservação de línguas minoritárias. O segundo fez mesmo o elogio da existência de<br />
fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão de culturas<br />
diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.<br />
Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a<br />
experiência significativa de recuperação, quase milagrosa, do Mirandês, a partir de uma<br />
muito pequena comunidade de falantes, convencidos, afinal erradamente, de que aquela<br />
língua tinha chegado ao<br />
fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.<br />
Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a propósito dos<br />
projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à &#8220;oficialização&#8221;.<br />
Queixou-se do estado de abandono em que se sentia o povo de Barrancos face a Lisboa.<br />
No final, foi projectado um curto filme sobre o Português oliventino, organizado por Mila Gritos. Nele surgiam<br />
oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os<br />
preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias<br />
pitorescas. A finalizar o &#8220;documentário&#8221;, uma turma de jovens alunos de uma escola numa<br />
aula de Português<br />
pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.<br />
Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação<br />
Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características alentejanas do Português de<br />
Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.<br />
A noite já tinha caído quando, e não sem muitos cumprimentos e alegres trocas de<br />
impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada abandonaram o local. Com a<br />
convicção de que tinham assistido a algo notável.<br />
Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009<br />
Carlos Eduardo da Cruz Luna</p>
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