Elogio público ao Ciberdúvidas
20 de Junho, 2008 por Miguel RMTenho citado várias vezes o Ciberdúvidas e hoje vou explicar por que motivo o considero um dos melhores instrumentos de apoio aos linguistas portugueses e lusófonos. Uma das características que mais aprecio no que vai publicando é a sua grande democraticidade, a sua grande abertura à enorme diversidade de opiniões que existe nesta área. Em parte, essa diversidade é devida às insuficiências da política da língua, mas também há uma parte substancial que é devida à natural diversidade que existe em qualquer língua, mesmo naquelas que beneficiam de melhores políticas de regulação. Outro aspecto muito positivo do Ciberdúvidas é a sua abertura ao português do mundo, a sua recusa em encarar a nossa língua como algo confinado ao nosso pequeno território. Esta democraticidade e esta abertura tem grandes vantagens, mas também pode parecer perturbante para pessoas pouco habituadas a efectuar este tipo de consultas. Por isso, aqui vai uma dica: nunca se contentem com o que aparece numa primeira consulta. Ontem, por exemplo, quis tirar umas dúvidas sobre percentagens (30% da população apoia… ou 30% da população apoiam…?) e, consultando o Ciberdúvidas, cheguei a uma resposta que não me satisfez. Descobri depois que havia mais 5 ou 6 entradas que expunham outras posições bem mais próximas das que considero correctas. Por isso, nunca se contentem com os primeiros resultados. Na maior parte dos casos, há bem mais e melhor…
Todos os linguistas profissionais sabem, por experiência, que há muitas “zonas cinzentas” na língua portuguesa. Essa realidade, que nos tira competitividade e prejudica o estatuto internacional da língua, deveria motivar-nos para sermos mais solidários, mais activos e mais empreendedores e contribuirmos assim para uma melhor política da língua. Tudo o que tenho tentado – este blogue, as minhas posições sobre o acordo ortográfico, a interacção que tento fazer com outros entusiastas da língua portuguesa – está relacionado com esse desígnio estratégico de melhorar a política da língua do meu país.
Apoio cem por cento, a ponto de,no m/ último contributo, me ter dirigido à equipa como “Caros servidores públicos”.
Junho 24th, 2008