Deputado Graça Moura não consegue resistir a continuar uma “guerrinha”
28 de Maio, 2008 por Miguel RMO eurodeputado Vasco Graça Moura (VGM) publica hoje no Diário de Notícias um artigo em que tenta retomar a “guerrinha” em torno do acordo ortográfico. É com o maior prazer que contribuo para a divulgação do dito artigo, que me parece muito esclarecedor: “Uma Vitória de Pirro”
Como felizmente a Assembleia da República (AR) votou a favor da ratificação do Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico, não seguindo portanto a opinião expressa pelos peticionistas anti-acordo, VGM vem agora tentar convencer-nos de que está muito preocupado com as um possível “fosso ortográfico” que se venha a criar entre os países signatários do acordo que o ratificaram e os outros que ainda não fizeram. O elemento extraordinário desta extraordinária posição de VGM é que não cita nem evoca uma única voz desses países para sustentar a sua tese peregrina. Limita-se a esgrimir argumentos com Vital Moreira, outro português, que defende a aplicação do acordo sem esperarmos pela ratificação de todos.
Se VGM e os outros peticionistas não tivessem tentado aproveitar-se do apoio que receberam de alguns portugueses ressentidos com as independências dos países que foram colónias portuguesas, talvez tivessem hoje mais legitimidade para se mostrar tão preocupados com os países que ainda não ratificaram. Pela parte que me toca, tendo estado sempre atento aos argumentos oriundos dos outros países lusófonos, nada me leva a crer que o problema agora seja o de saber se se espera ou não pela ratificação de todos. Os verdadeiros problemas provêm das insuficiências da nossa política de língua e da CPLP. O que é preciso fazer agora é aproveitar a ocasião criada pela votação na AR para aperfeiçoar o acordo, melhorar a nossa política de língua (há sinais positivos dados tanto pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros como pelo Ministro da Cultura) e reforçar a CPLP para a tornar uma verdadeira organização internacional apta para explorar plenamente esse activo de valor inestimável que é a língua portuguesa.
Devo então depreender que sou uma portuguesa ressentida com as independências dos países que foram colónias portuguesas, quando nem sequer convivi com essa realidade “colonial” e a minha preocupação é oc rescimento económico de PORTUGAL (em que a cultura e a língua desempenham uma tarefa importante) e obviamente a minha vidinha pessoal.
Dqui a pouco está-me a dizer a mim e a outros tantos portugueses o que comemos ao almoço e ao jantar.
Maio 30th, 2008
Cara leitora, não queira confundir alhos com bugalhos. Qualquer posição sobre o acordo é legítima e tenho feito constantes apelos para que todos contribuamos para melhorar o acordo. O que não aceito é que tentemos boicotá-lo e impedir que seja aplicado, quando foi assinado com outros sete países. Portugal não precisa de estar escrito em maiúsculas para ter crescimento económico; precisa, isso sim, de mais pragmatismo.
Junho 1st, 2008
E eu, como tantos outros anti-acordo só queremos que o acordo seja melhorado de modo a corrigir uns pormenores bastante significantes e pouco benéficos para a língua portuguesa, assim como queremos que o acordo não seja apenas entre Portugal e Brasil. Queremos que todos os países de Língua Oficial Portuguesa dêem o seu contributo e que todos os linguistas portugueses de relevo sejam ouvidos e tomem parte na construção de um acordo que sirva a Língua Portuguesa.
Junho 2nd, 2008
Cara leitora, não duvido das intenções de “tantos outros anti-acordo”. Só pretendo que se demarquem dos pontos de vista xenófobos e/ou antibrasileiros. O acordo não é, nem nunca foi, apenas entre Portugal e o Brasil. Os países que, além de Portugal, já ratificaram são o Brasil, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Eu não estou interessado em extremar posições. Pelo contrário, estou muito consciente de como a nossa língua precisa de todos que a estimam para que seja possível melhorá-la e promovê-la
Junho 3rd, 2008