Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

O amável leitor José Manuel Maia Alves escreveu há dias um comentário ao meu artigo “Robot ou robô”, em que diz o seguinte:

«Quem é que hoje preferiria usar bonnet ou bidet em vez de boné e bidé? Quando palavras estrangeiras entram no uso corrente é perfeitamente aceitável aportuguesá-las se tal for possível. Dentro desta linha de raciocínio, concordo com o aportuguesamento de termos como robot, pivot e dossier. Há quem objecte contra estes e outros aportuguesamentos, dizendo que é necessário indicar a origem das palavras. Então deveriam usar football, como era corrente por volta de 1930, ou beef.»

Não contesto o que aqui diz, mas gostaria de alertar para a necessidade de prudência. Cada vez que se tenta impor com excesso de voluntarismo o aportuguesamento de vocábulos estrangeiros corre-se o risco de provocar reacções adversas, dificultando assim a aceitação de futuros aportuguesamentos. No caso dos topónimos, por exemplo, é longa a lista de tentativas de aportuguesamento que não vingaram por serem manifestamente infelizes: Listenstaine (Liechtenstein), Francoforte (Frankfurt), Dusseldórfia (Düsseldorf) Oxónia (Oxford), Cambrígia (Cambridge), Vashintónia (Washington). Este último caso é particularmente estúpido, visto tratar-se do nome duma pessoa (George Washington) que passou a nome de cidade. O mesmo se passa com Sydney, cidade australiana. Estranhamente, em Portugal há quem escreva “Sidney” (por que motivo substituem um “y” e não o outro?) quando se referem à metrópole da Nova Gales do Sul (Austrália) e Sydney quando se referem à pequena cidade da Nova Escócia (Canadá). Ora, ambas devem o seu nome ao mesmo Lorde Sydney.

Se os leitores quiserem aprofundar o assunto, aconselho que escrevam “aportuguesar” no motor de busca do Ciberdúvidas. Encontrarão uma série de entradas interessantes, mas sobretudo destaco um artigo de Ivo Castro que explica muito melhor do que eu aquilo que eu penso.

2 Comentários »

  1. Dois pequenos comentários:

    1. Podemos deixar de aportuguesar a grafia, mas na língua falada é inevitável que deixemos de usar os nossos fonemas.
    Falamos “uóchintom”, não afrancesamos o “r” em robot, e muito menos colocamos a lingua nos dentes quando pronunciamos palavras com o “th” inglês no meio de uma frase em português.

    2. Sou a favor da tradução, não gosto muito dos aportuguesamentos. Entretanto, nem sempre é possível, e fico chateado em saber que não conseguimos, com mais 200 milhões de falantes, uma boa tradução ou um bom neologismo para “marketing”,para “download” e até para “nocaute”. Não deveria ser assim tão difícil.

    Uma curiosidade: aqui no Brasil os meios de comunicação vem tentando utilizar “apagão” em lugar de “blecaute” e parecem ter conseguido algum sucesso. Não sei se esse seria o melhor termo, mas de qualquer forma, um viva para eles!

    Cláudio Mangini
  2. gostei muito

    henryque

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