Aparentemente, o acordo ortográfico vai avançando…
30 de Outubro, 2008 por Miguel RMDurante a IX Cimeira Luso-Brasileira (uso uma notícia do Ciberdúvidas, porque não encontrei na imprensa portuguesa nenhum relato suficientemente esclarecedor), que se realizou em 28 de Outubro em Salvador, no Brasil, o acordo ortográfico (AO) foi objecto de conversações entre as duas partes. Há uma clara intenção de pôr em prática o AO nos dois países e é a primeira vez que o comunicado final destas cimeiras tem uma versão única, o que não deixa de ser simbólico. É óbvio que houve avanços, até porque há um sinal infalível: Vasco Graça Moura já reagiu a barafustar e é sabido que esse inimigo do AO reage sempre que há sinais de avanços nesta questão.
Enquanto defensor (moderado) do AO há algo que devo assinalar: o governo português está a revelar-se nesta área pouco hábil em matéria de comunicação (quem diria?). É a segunda vez que o público interessado sobre estas questões fica com a sensação que só há notícias interessantes sobre a língua portuguesa quando o governo está no Brasil. Já no passado, aqui no ENXUTO, a propósito do Instituto Camões (IC), manifestei a minha estranheza por o governo só ter falado sobre a situação no IC quando o ministro Luís Amado se encontrava em Brasília. Agora é a propósito do acordo que ficamos a saber mais algo porque o governo está em Salvador. A comunicação do governo nesta matéria parece hesitante e temerosa, o que é um erro manifesto. Pode haver uma explicação devido ao facto de estarem por resolver algumas questões de tutela política, nomeadamente entre diversos ministérios, mas o governo deveria ter a noção de que há muitos sectores da opinião pública que apoiam a sua vontade de avançar numa maior promoção da língua portuesa como língua de comunicação internacional. O ministro da Cultura é o único que tem mantido um discurso mobilizador constante e não seria má ideia que o próprio PM e o ministro dos Negócios Estrangeiros fossem igualmente claros e incisivos na promoção da política da língua. Sente-se que há muita negociação em curso (estatuto do IC, responsabilidade política pela política da língua, dificuldades orçamentais para atribuir verbas ao Fundo da Língua, etc.), mas o governo deveria ter mais confiança na opinião pública e aproveitar melhor (até em termos eleitorais, por que não?) o facto de finalmente parecer haver algum movimento positivo nesta área depois de tantos anos de tergiversações.
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