Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

“Ao encontro de”

17 de Abril, 2008 por Miguel RM

Primeiro, uma breve explicação sobre o que será a campanha mensal deste blogue: todos os meses tratarei duma questão da língua portuguesa, com o objectivo de pôr em evidência alguns erros facilmente evitáveis. Tentarei fazê-lo sempre com espírito construtivo e aberto, pois errar é humano e os utentes da língua portuguesa são ainda mais humanos do que outros, pois a nossa língua tem muitas zonas de incerteza. Fica pois claro que aceito críticas com prazer e que estou só moderadamente convencido das minhas razões. Cada campanha será lançada por uma declaração inicial que enuncia o problema. Seguidamente, durante um mês, estão todos convidados a participar com sugestões, citações, críticas, enfim, o que quiserem. Para primeiro tema escolhi: “Ao encontro de” Aqui vai:

Por que razão é que se confunde “ao encontro de” com “de encontro a”? Em ambos os casos estamos perante expressões que indicam duas entidades a aproximar-se. Só que no primeiro caso, o encontro é benigno, no segundo é provavelmente doloroso. Assim, por exemplo, se eu estiver numa ponta da praça do Giraldo e e reconhecer numa ponta oposta uma pessoa amiga, é provavelmente que nos saudemos, com um aceno por exemplo, e que avancemos “ao encontro” um do outro. Mas, se por acaso, durante o trajecto, eu me distrair a olhar para alguém que está à janela dum prédio, arrisco-me a ir “de encontro” a um poste. Outro exemplo: no debate sobre o acordo ortográfico o meu objectivo é que Portugal vá “ao encontro” dos países lusófonos, porque temo que, se não fizermos, poderemos daqui a uns anos ir “de encontro” a um português internacional que entretanto se venha a impor.

Uma nota final: atenção que em francês “à l’encontre de” quer dizer “de encontro a” e não “ao encontro de”.

1 Comentário »

  1. No passado dia 10 de Maio voltei a ouvir um locutor (SIC, hora de almoço) a utilizar incorrectamente “de encontro a”. Dizia ele: “a sentença foi de encontro às pretensões da acusação, impondo ao arguido a pesada pena de…” Ora, o que aconteceu foi que a sentença foi ao encontro das pretensões da acusação que pedia pena pesada.

    Miguel RM

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