Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Talvez não tenha ficado clara, no debate publicado nesta semana, a minha posição quanto a saber se há Estado a mais em Portugal. Em termos genéricos, subscrevo a ideia expressa no debate de que se há Estado a mais em algumas áreas, noutras há Estado a menos. Mas, em termos mais concretos, é inegável que o Estado cresceu demais nos últimos trinta anos e os governos PS destes últimos anos só agravaram a tendência.

As eleições que se aproximam devem servir para julgar os últimos seis anos de governação do PS e não há nenhuma gesticulação do PS, vitimizando-se e passando culpas para a oposição, que possa levar o eleitorado a esquecer tal facto. Eu votarei no partido da oposição que apresentar propostas mais sérias para cortar a despesa pública, para privatizar empresas que não devem estar no Estado, para cortar nos organismos do Estado.

Como já expliquei, sou um eleitor moderado e não limitado por qualquer peretença partidária. Votarei desta vez na oposição de direita pelos mesmos motivos que votei há seis anos no PS: na altura queria virar a página “Pedro Santana Lopes”. Agora quero virara a página “José Sócrates”.

Não há nisto nenhuma fulanização excessiva, há apenas o reconhecimento de que a alternância é útil e desejável. A oposição de direita só tem de se manter calma, não dar importância à gesticulação alarmista e às pressões do partido do governo e apresentar a seu tempo as propostas ao eleitorado.

4 Comentários »

  1. “A oposição de direita só tem de se manter calma”. Miguel, apesar de pedires pouco, acho que nem isso estás a ter!
    Quanto ao resto, acho bom que escrevas sobre os nossos temas de debate. Talvez isso me ajude a dar-te uma ou outra canelada, para não concordarmos demasiado, eh eh eh.
    Por exemplo, quando escreves “sou um eleitor (…) não limitado por qualquer pertença partidária”, cais com excessiva facilidade numa daquelas afirmações disparatadas muito voga, que traduzem a crença em que as pessoas alinhadas com um partido são, em princípio, seguidistas e acéfalos repetidores de patranhas dos seus partidos. És suficientemente inteligente e conhecedor para saberes que isso é uma tontice, além de seres suficientemente desprendido para não precisares de usar essas banalidades para ter opinião. Respeito os independentes e os oscilantes com os mesmos critérios pelos quais respeito os militantes, sabendo que há tontos e que há vibrantes cidadãos em qualquer dos “grupos”.
    Ou não?

    Porfírio Silva
  2. Lamento discordar, mas não é uma banalidade. No passado dia 24 de Março foi publicado no blogue “Margens de Erro” um interessante gráfico que mostrava que quase 60% dos eleitores são como eu, isto é, votam “sem fidelidade”. A verdade é que os outros, os que votam sempre no mesmo partido, têm de mostrar alguma fidelidade e, quando a luta aperta, é difícil ter espírito crítico “contra oa nossos”. Claro que o voto é secreto e nada impede que haja, por exemplo, gente do PS que, no segredo do acto, até vote de modo a impedir o partido de prosseguir o actual caminho…Nunca se sabe. A razão por que peço à oposição de direita que tenha calma é que isto não está fácil. O PS entricheirou-se na sua narrativa de “resistência heróica ao FMI”, tentando assim arrecadar alguns votos de esquerda, mas a verdade é que o país há muito que deveria ter negociado um apoio externo, como veio hoje dizer Augusto Mateues (como diria Sócrates, mais um irresponsável que nos quer entregar ao “terr+ivel FMI”…

    Miguel RM
  3. Miguel, por vezes tens uma terrível tendência para ver simples o que o não é. Sugiro-te a leitura do seguinte post: http://maquinaespeculativa.blogspot.com/2011/04/agora-vou-explicar-o-que-quero-dizer.html

    Porfírio Silva
  4. Caro amigo,
    Na próxima semana, na Machina Enxuta, terei todo o prazer em discutir a questão da ajuda externa. Longe de mim pensar que a questão é simples, como têm andado a dizer os que argumentam com a resistência, a determinação e outras qualidades machas deste governo.

    Miguel RM

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