Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Ainda os topónimos

14 de Junho, 2008 por Miguel RM

Uma das coisas que aprecio no artigo de João Manuel Maia Alves que assinalei ontem é o facto de nos indicar vários casos de aportuguesamentos em que quem introduziu unilateralmente alterações foi Portugal e não o Brasil. Seja como for, há obviamente na língua portuguesa, como em todas as línguas, algumas incoerências nas designações geográficas. Por exemplo, Berlim impôs-se facilmente (embora não corresponda à pronúncia alemã do topónimo). Já Dublin é frequentemente escrito à inglesa e dito à inglesa (“Dablin”). Vários amigos do Norte do país insistem comigo que se deveria grafar Dublim, mas não estou convencido. Outro exemplo extraordinário vem-nos da Palestina. Até aos anos 60, em todo o mundo lusófono o adjectivo era “palestino” (do mesmo modo que argentino ou filipino). Havia vasta literatura,sobretudo religiosa, em que o adjectivo “palestino” estava consagrado. Depois, com o aparecimento da OLP e o agudizar do conflito em torno da questão dos direitos dos palestinos, a extrema-esquerda, muito próxima da OLP e talvez por querer diferenciar a nova realidade dum povo palestino que aspira a ter um Estado, passou a usar o neologismo “palestiniano”. Pois pasme-se, os brasileiros não foram na conversa e continuam a  dizer muito bem “Autoridade Palestina” “povo palestino”, etc. É pena que em Portugal se tenha optado por introduzir um termo inútil, mas assim foi. Há portanto algumas incoerências nas designações geográficas e o acordo ortográfico, por si, não tem grandes vantagens, a não ser uma: reintroduz na nossa língua o k, o w e o y, o que contribuirá para arrefecer os ânimos dos fundamentalistas do aportuguesamento (note-se que, mesmo sem k, w e y como letras do alfabeto português nada nos obrigava a não usá-las em nomes estrangeiros). Só mesmo pessoas com pouco sentido das realidades achariam que não deviamos escrever, por exemplo, Kuwait (sugerindo, quem sabe, Cuvaite) ou Qatar (sugerindo talvez Catar), já que em português não existe Q seguido de a :-)    

2 Comentários »

  1. Também não gosto da palavra “palestino”. Com grande satisfação minha, em dois anos de Moçambique, entre 1997 e 1999, praticamente nunca ouvi nem li o termo “palestiniano” nos meios de comunicação do país. Os moçambicanos ouvem com frequência a palavra “palestiniano” na RTP-África e na RDP-África, estações que se captam como se fossem emissoras locais e que têm uma enorme audiência, mas não se deixam contagiar. Ao contrário do que muita gente julga ou deseja, os moçambicanos não nos vêem como guias linguísticos.

    Creio que em Angola também não usam o termo “palestiniano”. De qualquer modo, ele consta do vocabulário da Academia Brasileira de Letras.

    “Cuaite” e “Catar” constam do dicionário inglês-português Houaiss. Duvido é que venham a ser de uso generalizado.

    No Cacém existe o “Impasse Cidade de Dublim”. Não sei se as pessoas acham que tal designação tem a ver com a capital da Irlanda.

    Há evoluções interessantes. Antes de 1945, a palavra “checo” não constava dos dicionários, quer portugueses quer brasileiros. O que se encontrava era “tcheco”. Com a reforma de 1945, introduzimos “checo” em Portugal e os brasileiros continuaram com “tcheco”. Até há relativamente pouco tempo “checo” não se encontrava nos dicionários brasileiros. Parece que no Brasil havia linguistas que não apreciavam “tcheco”. Hoje “checo” e “Checoslováquia” são aceites no Brasil; penso que são mesmo as formas preferidas.

    João Manuel Maia Alves
  2. No meu comentário queria dizer que não gosto da palavra “palestiniano”. Foi um erro meu, de que peço desculpa.

    João Manuel Maia Alves

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