Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

O atento embaixador de Portugal em Paris, Francisco Seixas da Costa, aludiu no seu blogue Duas ou Três Coisas a um acordo entre líderes paralamentares para que se deixe de usar na Assembleia da República os termos “autistra” e “autismo” em sentido figurado. O jornal Público também noticiou esta iniciativa dum deputado do PEV.

Num país com uma vida política um pouco mais civilizada o assunto teria sido tratado discretamente, sem que houvesse hipótese de ser notícia. Mas por cá gostamos de fazer as coisas “à nossa maneira”: há que formalizar o acordo entre líderes, o Senhor Deputado Carloto faz questão que se saiba que foi ele que se lembrou do assunto e na Assembleia não há entre os líderes parlamentares ninguém que tenha a coragem de denunciar este activismo “politicamente correcto” como pura demagogia.

O autor deste blogue não tem qualquer animosidade antiparlamentar, mas não pode deixar de assinalar este ridículo disparate e indignar-se com a falta de espírito crítico dos Senhores Deputados. Não haverá nem um que tenha a coragem de dizer que tais oportunismos políticos são indignos duma ”casa da Democracia”?

2 Comentários »

  1. Desculpe colega , mas sou brasileiro, tenho um filho autista e gostei da atitude do parlamento português. Vou usá-lo como exemplo, para reivindicar o mesmo do Parlamento brasileiro.

    Marcio Vieira
  2. Caro leitor, penso que não me entendeu bem. Eu entendo as razões de todas as pessoas que se sintam ofendidas com a utilização abusiva de certos vocábulos. A minha crítica é apenas contra a demagogia: não aceito que se utilize a sensibilidade legítima das pessoas autistas ou de quaisquer outras para se obter ganhos políticos injustificados. Como eu disse, gostaria que o assunto tivesse sido resolvido discretamente. O mais lógico seria que quem tenha usado o termo com sentido metafórico desse uma breve explicação sobre o motivo pelo qual não o voltaria a fazer. Desse modo a opinião pública ficaria igualmente informada, mas eu e outras pessoas que estimam a democracia não ficariamos com esta sensação desagradável de estarmos perante um caso de puro oportunismo político. O Senhor Deputado Carloto parece-me ser aquele tipo de menino que entende ser melhor “fazer queixinhas” do que resolver os problemas da melhor maneira. Quando eu era menino e andava na escola primária esse tipo de “colega” era desprezado por quase todos nós.

    Miguel RM

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