Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Comecemos com um pouco de história pessoal: nos últimos anos da minha juventude conheci muitos opositores ao regime de Franco, por haver muitas afinidades políticas entre essas pessoas e os portugueses que se opunham a Salazar. Entre nós, oposicionistas das ditaduras ibéricas, era hábito, nessa altura, designar como “castelhano” a língua espanhola. Tratava-se, obviamente, duma designação marcada ideologicamente, que pretendia salientar a oposição à política repressiva de Franco, nomeadamente os impedimentos à divulgação das outras línguas de Espanha, como o basco, o catalão e o galego. Uma das grandes conquistas do regime democrático espanhol foi precisamente o renascimento das outras línguas de Espanha (ver “A Galiza e a nossa língua” publicado aqui em 25 de Agosto passado).

O difícil equilíbrio existente em Espanha entre o Estado central e os Estatutos de Autonomia tem aspectos linguísticos que não são de desprezar. Muitos nacionalistas continuam a preferir o termo “castelhano” ao termo “espanhol” para designar a língua oficial de todo o país. No entanto, não existe hoje em Espanha qualquer entrave à consolidação das línguas das Autonomias, o que me leva a crer que a insistência no termo “castelhano” só pode ser entendida como um radicalismo dos nacionalistas bascos, catalães e galegos. As instituições espanholas têm tratado esta questão com moderação e bom senso e o próprio dicionário da Real Academia indica que o termo “castelhano” designa a “Lengua española, especialmente cuando se quiere introducir una distinción respecto a otras lenguas habladas también como propias en España”. Não tendo eu qualquer simpatia pelo radicalismo político, nomeadamente o dos nacionalistas, não vislumbro motivo por que me deva coibir de designar como “espanhol” a língua do Estado espanhol. Para mais esclarecimentos sobre esta questão, junto um comentário ao artigo 3º da Constituição espanhola e um interessante artigo, ambos em língua espanhola. Na Wikipedia há também um bom artigo em espanhol sobre este assunto.

4 Comentários »

  1. PR
  2. “não vislumbro motivo”? E que tal o bom senso?

    Luis Rainha
  3. Já agora, para alguém tão preocupado com a Língua, convinha ponderar sobre o sentido de “radicalismo”. Logo veria que, sobretudo tendo em vista este tema, não é de todo coisa a evitar.

    Luis Rainha
  4. Caro Luís Rainha,

    Um breve comentário: sei muito bem que “radicalismo”, do ponto de vista etimológico, significa uma especial atenção às origens dos problemas, às “raízes”. Contudo, perdoar-me-á por eu preferir usar o termo no seu sentido mais comum de “posição política extremada”. Tenho alguma compreensão por tais posições quando se destinam a combater políticas extremistas de sinal contrário (por exemplo, para enfrentar uma ditadura), mas não as compreendo em sociedades abertas e democráticas. Consequentemente, para mim é de bom senso designar por “espanhol” a língua oficial de Espanha e de muitas nações americanas. Pelo contrário, tenho muitas dúvidas quanto á designação “castelhano”. Porquê essa valorização excessiva de Castela? A Espanha moderna não nasceu da aliança de Leão e Castela com Aragão? Porquê Castela? Só por Madrid ser em Castela? Talvez “aragonês” ou “leonês” não fosse pior…Estou a brincar, sou uma pessoa pragmática e admito perfeitamente que haja ressentimentos históricos que explicam a preferência pelo termo “castelhano”, como está explicado nos vários artigos que disponibilizei em espanhol. Resumindo o que quero dizer: “espanhol” e “castelhano” são sinónimos, porque, sensatamente, os dicionários espanhóis e a Real Academia assim o reconhecem. Preferir “espanhol” não significa nenhuma antipatia pelas Autonomias. No meu caso até posso dizer: muito pelo contrário!

    Miguel RM

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