A ideologia ao serviço da estupidez: quem inventou os “palestinianos”?
26 de Setembro, 2008 por Miguel RMÉ com prazer que tenho lido vários autores a condenar o neologismo inútil «palestiniano», preconizando a utilização do adjectivo «palestino», aquele que ficou consagrado ao longo da História na língua portuguesa. De facto, nunca houve motivo fundamentado para formar um adjectivo de forma diferente da que é seguida no caso dos termos “Argentina” e “Filipinas”. Nunca ninguém se lembrou de escrever «argentiniano» ou «filipiniano». Infelizmente, na História do século XX, nos anos 60, com o aparecimento da OLP e com a habitual subserviência dos media portugueses aos produtores de notícias internacionais, começou a generalizar-se o inútil «palestiniano» (por contaminação do francês «palestinien» e do inglês «Palestinian»). Certamente houve também, na altura, uma preocupação ideológica que levou à introdução do inútil neologismo: os militantes da causa palestina quereriam provavelmente marcar uma separação clara em relação a um termo antigo, com claras conotações religiosas resultantes da importância histórica da Palestina para as religiões cristãs. O resultado que hoje temos é este: as pessoas mais velhas e as editoras religiosas continuam a utilizar o adjectivo tradicional («palestino»); as pessoas mais novas e os media usam o adjectivo pseudomoderno («palestiniano»).
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