Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

É com prazer que tenho lido vários autores a condenar o neologismo inútil «palestiniano», preconizando a utilização do adjectivo «palestino», aquele que ficou consagrado ao longo da História na língua portuguesa. De facto, nunca houve motivo fundamentado para formar um adjectivo de forma diferente da que é seguida no caso dos termos “Argentina” e “Filipinas”. Nunca ninguém se lembrou de escrever «argentiniano» ou «filipiniano». Infelizmente, na História do século XX, nos anos 60, com o aparecimento da OLP e com a habitual subserviência dos media portugueses aos produtores de notícias internacionais, começou a generalizar-se o inútil «palestiniano» (por contaminação do francês «palestinien» e do inglês «Palestinian»). Certamente houve também, na altura, uma preocupação ideológica que levou à introdução do inútil neologismo: os militantes da causa palestina quereriam provavelmente marcar uma separação clara em relação a um termo antigo, com claras conotações religiosas resultantes da importância histórica da Palestina para as religiões cristãs. O resultado que hoje temos é este: as pessoas mais velhas e as editoras religiosas continuam a utilizar o adjectivo tradicional («palestino»); as pessoas mais novas e os media usam o adjectivo pseudomoderno («palestiniano»). 

Não pretendo, obviamente, que se proíba o termo «palestiniano», preconizo apenas que seja dada preferência ao termo mais correcto. Como faço sempre que pretendo expor uma opinião susceptível de animar polémicas, aqui vai mais uma declaração de interesses: não sou uma pessoa religiosa, sou agnóstico. Sou, contudo, defensor do património religiososo e da liberdade religiosa. No caso que estou aqui a debater, o adjectivo “palestino” faz parte precisamente do nosso património linguístico (neste caso, de origem religiosa) e é por isso que o defendo.

 

 
 

 

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