A Galiza e a nossa língua
25 de Agosto, 2008 por Miguel RMHoje vou falar da questão da língua na Galiza, assunto que deveria interessar todos os portugueses relacionados coma lusofonia. Os meios artísticos e intelectuais do norte de Portugal, devido à proximidade, conhecem bem esta questão política interna da maior importância na Galiza, mas no centro e no sul do nosso país só alguns mais curiosos sabem algo sobre o assunto.
Vou dar a minha versão da questão e peço que comentem e critiquem à vontade, pois não conheço profundamente o tema e posso ser influenciado por alguma informação menos rigorosa: o renascimento da língua galega, que deve muito a todos os que lutaram pelo seu reconhecimento durante a ditadura de Franco, é uma das grandes vitórias do regime democrático das autonomias em Espanha. Contudo, no interior da sociedade galega, houve e há grandes divergências quanto à norma da língua galega. A opinião que se impôs politicamente como maioritária optou por uma normalização duma língua galega mais próxima do espanhol (ou castelhano, se quiserem), em detrimento dos que defendiam uma maior proximidade com a língua portuguesa. Os defensores desta segunda opção, embora minoritários em termos políticos na Galiza, são bastante representativos, estão espalhados por todo o espectro político (com predominância de dois grupos aparentemente muito diferentes: por um lado, intelectuais conservadores ligados às tradições rurais, por outro, simpatizantes do Bloco Nacionalista Galego, o partido mais à esquerda do Parlamento da Galiza). Hoje vou acrescentar nas ligações (links) o Movimento Defesa da Língua, que contém muita informação adicional sobre o Reintegracionismo (movimento que defende uma Galiza integrada na lusofonia).
Dado tratar-se duma questão política delicada, vou fazer uma breve declaração de interesses, como é meu hábito sempre que o julgo necessário: tenho, como muitos portugueses, um carinho especial pela Galiza; conheço o movimento reintegracionista, com o qual colaborei muitas vezes nos 20 anos que vivi em Bruxelas, sendo assíduo frequentador do Centro Galego dessa cidade. Dito isto, sou um defensor moderado da autonomia das nações de Espanha e oponho-me há muitos anos declaradamente a qualquer extremismo separatista em Espanha, tendo participado desde 1990 em numerosas manifestações de repúdio do terrorismo da ETA. Enquanto português amigo de Espanha, tenho grande admiração pelos difíceis equilíbrios políticos que foram alcançados nestes 30 anos de democracia e considero ser também do nosso interesse, enquanto vizinhos, podermos contar com uma Espanha democrática e estável. Por isso, a minha simpatia pelo Reintegracionismo galego não pode ser entendida como apoio a qualquer opção politicamente extremista de cariz nacionalista, que repudio inequivocamente.
[...] passado dia 25 de Agosto, publiquei neste blogue um artigo sobre “A Galiza e a nossa língua” em que tentei despertar o interesse pelo [...]
Setembro 26th, 2008
Acho que há que separar duas coisas ou “cousas” como nos dizemos cá, uma política e outra cultural.
A respeito do cultural, e o nosso dever cuidar da língua como património nosso e eu acredito que a norma estandar actual na Galiza é muito precária e não se corresponde muito com a oralidade. Com a norma do Acordo Ortográfico do Português, eu sinto-me muito cómodo, e enche esse oco que deixa a norma actual. Por isso eu escrevo deste jeito que além de me servir para escrever e entender-me com você, não faz mudar muito a minha oralidade.
E depois esta o tema político. A Espanha não dá o mesmo poder a todas as línguas do território espanhol, e ainda mais, alguma delas ate parece que as discrimina. Eu pessoalmente sinto muito a terra onde vivo mas não acredito muito nas linhas entre países. Pelo que se a Espanha respeitar e fomentar as línguas como no caso do Mirandês, língua oficial em Portugal (se mal não me lembro de faz 10 anos aproximadamente), e dar o mesmo estatus e possivilidades para com o castelhano, eu não teria nenhum problema a pensar numa Galiza espanhola. Bem, a realidade é bem distinta e já são muitos séculos… Se a Galiza for um país independente, acho que tudo seria muito mais fácil para decidir uma ou outra coisa.
Dizer também que eu não sou linguista, só dou uma opinião assim muito rápida.
Saudações.
Maio 17th, 2011
Repudias opinions politicas legitimas e nom-violentas porque deves de ser umha persoa pouco respetuosa, e possívelmente tamém pouco demócrata.
Também dizir-te que é moi hipócrita por parte de um português falar em contra do independentismo pois Portugal nasceu coma umha excisom do Reino da Galiza. Posteriormente Portugal foi anexa ao Reino de Espanha, recuperando a independência um 1 de Dezemebro, dia que hoje celebrades. Portanto, se nom és dos portugueses que querem unirse á Espanha, porfavor, seja você coherente.
Maio 17th, 2011