Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Duas notícias publicadas recentemente no Jornal de Notícias vêm confirmar o que tem sido defendido neste blogue quanto ao acordo ortográfico (AO). Trata-se duma notícia sobre dicionários e doutra sobre conversores.

O problema que tem sido esquecido pelos opositores ao AO é que ele existe, é um acto de direito internacional assinado pelo Estado português e, consequentemente, terá de entrar em vigor, independentemente da opinião que tenhamos sobre a sua qualidade. Este blogue e muitas outras pessoas e entidades interessadas na promoção da língua portuguesa têm tentado esclarecer este ponto perante os ataques mais ou menos catastrofistas dos opositores ao AO. O que as notícias do Jornal de Notícias vêm dizer é que os representantes dos interesses económicos estão atentos e prontos para se adaptarem.

Como seria bom se os muitos defensores da língua portuguesa que se deixaram envolver numa campanha xenófoba contra o AO voltassem atrás e se dispusessem a contribuir para que o AO seja, no futuro, melhorado e aplicado com sensatez. Como seria bom que se juntassem às muitas pessoas que têm objecções a alguns aspectos do acordo, mas que não se deixaram cegar até ao ponto de rejeitar um acto de direito internacional subscrito pelo Estado português.

Enfim, bem sei que estes apelos ao consenso têm poucas hipóteses de singrar no espaço público do nosso país. Infelizmente, a nossa opinião pública é muito influenciada pelo que Miguel Esteves Cardoso (um adversário do AO) costumava designar o “talento dos portugueses para as misturadas”. Trata-se duma tendência acentuada para misturar assuntos: assim, por exemplo, se estamos em ano eleitoral e nos partidos políticos existe alguma agitação quanto às possibilidades de consensos pós-eleitorais, toca a ser contra qualquer consenso, seja em que área for. Ora, a política da língua portuguesa é precisamente uma área em que os consensos são cruciais. Consensos entre especialistas, mas também entre especialistas e outros  utilizadores da língua, consensos com os outros países de língua portuguesa. Enfim, sonhar é mesmo à borla…

2 Comentários »

  1. Parabéns aos portugueses que rejeitam esse horror que é o maldito acordo ortográfico. Aqui no Brasil, infelizmente, o caráter bovino da maioria já aceitou a reforma pacificamente. Covardes! E maldita a “assembléia” sem acento agudo!

    Horror
  2. Todos somos puritanos ou queremos sê-lo em relação ao nosso idioma e mais concretamente, como o transpomos para a escrita.
    S´gostava de saber se no novo acordo, cor-de-rosa, é mesmo assim que se escreve e cor de laranja é assim.
    É o poder da consagração que vinga?
    Então consagremos “pharmácia” ou o grande professor e autor, “Achiles Machado”, que nunca soube se era “aquiles makado” se “achiles machado”.
    Pára, verbo parar, para de ter acento, obrigatoriamente e escreve-se para, não se distinguindo da proposição para. Mas pôr, verbo, manterá o acento, obrigatoriamente, para se distinguir da proposição por.
    Pode, pret. perfeito, terá facultativamente acento (pôde), para se distingui de pode, pres. do conj.
    Forma, substantivo, terá facultativamente acento, (fôrma), para se distingui de forma, verbo e substantivo.
    Mas acordo, acerca, cerca … (substantivos), OBRIGATORIAMENTE não terão acento e não se distinguirão de acordo, acerto, cerca … verbos.
    Demos, pres. do conj. terá facultativamente acento, (dêmos), para se distinguir de demos, pret. perfeito.
    Mas podemos, pres. do conj, obrigatoriamente não levará acento e não se distinguirá de pudemos, pret. perf.
    O que é facultativo?
    O que é obrigatório?
    Mas muitíssimo fica por dizer.
    Aos 62 anos, que se lixem os acordeonistas com ou sem assentos …
    Que fiquem de pé, porque o que aprendi, não morre, só quando eu partir …

    josé torres

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