Notícias da Abcásia (ou será Abkhásia? Ou Abecásia?… Ou…?)
29 de Agosto, 2008 por Miguel RMCada vez que surgem notícias de áreas geográficas pouco usuais, os diversos meios noticiosos portugueses utilizam na nossa língua várias grafias, consoante o gosto de quem redige (e/ou revê?) a notícia. Este lamentável estado de coisas é devido à total incapacidade para definir regras sensatas e segui-las, que tanto prejudica a nossa vida pública em muitas áreas. Já nem falo na nossa débil, quase inexistente, política da língua. Falo, por exemplo, da presença do Estado em organismos como a Lusa, a RTP e a RDP. Se existem essas entidades públicas sob o pretexto da “defesa do interesse público”, há que perguntar se não deveria estar contemplada nos respectivos contratos a obrigação de zelar pela correcta grafia dos diversos nomes que vão surgindo na actualidade noticiosa. Na BBC, por exemplo, os locutores de televisão têm à sua disposição um serviço de linguistas especializados que os esclarecem quanto à pronúncia correcta dos nomes estrangeiros. Em Portugal, como se sabe, quando há dúvidas, pronuncia-se à inglesa e pronto!
Pois agora é a Abcásia que está na berlinda:
- Há quem escreva Abkhásia, usando o conjunto de letras “kh” que em inglês serve para imitar uma espécie de “R” muito usual nos nomes árabes e do Médio Oriente em geral (”Khomeini”, que se lê “Rrromeini”). Mantém-se este “kh”, que ninguém sabe como ler em português, mas introduz-se o acento agudo no “a”, para que se leia correctamente em português, pois em o acento a tónica seria na penúltima silaba ”si”.
- Há também quem escreva “Abecásia”, certamente poer considerar que o “e” mudo é essencial em português para desfazer conjuntos de consoantes não usuais em português, no caso o “bc” de Abcásia. Esta ideia absurda já levou a que se acrescentasse um inútil “e” mudo a Amsterdão, nome que se escreve assim (”Amster” que quer dizer “do (rio) Amstel”) em todas as línguas latinas (incluindo o português do Brasil!!).
Um apelo: por favor, escrevam “Abcásia” (ou “Abkásia”, se preferirem), pois o termo está consagrado há muito nos melhores jornais de língua portuguesa.